
Defasagem cambial em debate: superávit comercial da Argentina desaparece
fev, 26, 2025 Postado porGabriel MalheirosSemana202509
O debate sobre a defasagem cambial na Argentina está se intensificando. A conta corrente do Banco Central (BCRA) entrou no vermelho, representando um desafio significativo para a estratégia econômica do presidente Javier Milei. A valorização do peso, o aumento dos custos e a carga tributária estão comprimindo as exportações em diversos setores-chave, especialmente aqueles que agregam valor às matérias-primas. Com margens de lucro cada vez menores, a indústria pesqueira já questiona se a próxima temporada do camarão será viável diante das atuais condições macroeconômicas.
O que é a defasagem cambial?
A defasagem cambial ocorre quando a taxa de câmbio de um país não se ajusta à inflação ou às mudanças econômicas, tornando os bens e serviços locais mais caros em relação aos de outros países. No caso da Argentina, o peso tem se fortalecido em termos reais—ou seja, apesar do controle sobre a taxa de câmbio oficial, os custos internos continuam subindo. Isso reduz a competitividade dos exportadores, tornando seus produtos mais caros em dólar e diminuindo a demanda externa.
Superávit comercial desaparece
O superávit comercial da Argentina praticamente sumiu em janeiro, caindo para apenas US$ 182 milhões—o menor nível desde dezembro de 2023. Quando o saldo do turismo é levado em conta, o déficit da conta corrente do BCRA se torna ainda mais evidente.
Isso ocorreu apesar dos preços favoráveis, que evitaram uma queda ainda maior. “Se os preços de janeiro de 2024 tivessem se mantido, o saldo comercial teria registrado um déficit de US$ 249 milhões”, destacou o instituto de estatísticas INDEC em seu relatório comercial.
Na prática, isso significa que a Argentina recebeu mais mercadorias por unidade exportada devido a uma melhora relativa nos preços de exportação em comparação aos preços de importação.
A perda do superávit comercial aumenta a pressão sobre o que muitos economistas consideram o ponto mais frágil da economia: a taxa de câmbio. Com reservas líquidas negativas e um déficit crescente na conta corrente, o Banco Central segue dependente da entrada de dólares de tomadores de empréstimos que convertem financiamentos em moeda estrangeira para pesos.
Exportadores enfrentam desafios crescentes
“Qualquer produtor de bens de valor agregado está enfrentando dificuldades no momento”, disse um consultor do setor industrial ao jornal Ámbito. A indústria de alimentos e bebidas, em especial, sofre não apenas com a questão cambial, mas também com a concorrência crescente das importações. O setor metalúrgico enfrenta dificuldades semelhantes.
Os produtos manufaturados de origem industrial (MOI) registraram o menor crescimento entre as categorias de exportação, avançando apenas 2,7%, enquanto os produtos agroindustriais cresceram 17,5% e o setor de energia e mineração teve alta de 33,7%, segundo o INDEC.
Apesar desses desafios, a política monetária—com juros em pesos acima do ritmo de desvalorização—tem incentivado os exportadores a acelerar os embarques enquanto postergam as importações para lucrar com o carry trade dentro do atual regime cambial.
Indústria pesqueira em risco
A valorização cambial é um fato, mas a grande questão é se ela é sustentável e a que custo. O setor pesqueiro argentino alerta que as condições atuais estão tornando as exportações inviáveis.
“O problema é o aumento dos custos locais, a inflação em dólares, os baixos preços internacionais, os altos gastos operacionais e o aumento dos impostos sobre a extração de recursos”, afirmou Eduardo Boiero, presidente da Câmara Argentina de Armadores de Embarcações de Pesca e Operadores de Navios-Fábrica, ao Ámbito.
“Se a estrutura atual não mudar, corremos o risco de não zarpar, pois operaríamos com prejuízo. Enquanto isso, continuamos pagando impostos sobre as exportações”, acrescentou.
O camarão, principal produto exportado pelo setor, é o mais ameaçado. A temporada, que começa em abril, representa 50% das exportações totais da pesca e sustenta cerca de 45 mil trabalhadores em toda a cadeia produtiva.
Fonte: Ámbito
-
Portos e Terminais
out, 21, 2022
0
Aliseo investirá R$500 mi em base no Porto de Açu para apoio a operações da Petrobras
-
Portos e Terminais
jun, 21, 2021
0
ANTAQ realizará consulta pública sobre regulação do OGMO
-
Economia
dez, 29, 2023
0
Milei sinaliza novo aumento para taxas de exportações e irrita produtores
-
Outras Cargas
nov, 28, 2024
0
Porto de Fortaleza recebe navio com 10 mil toneladas de cimento asfáltico