Hapag Lloyd avalia terminal em Santos e vê Brasil bem posicionado contra crise

abr, 28, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202518

A empresa de navegação alemã Hapag Lloyd estuda disputar o leilão do novo terminal de contêineres em Santos, o chamado Tecon 10. Para a companhia, ainda é cedo para dimensionar os impactos de longo prazo da guerra tarifária, mas a avaliação é que o Brasil está bem posicionado no atual cenário de turbulências mundiais, afirmou Rolf Habben Jansen, presidente global da empresa, ao Valor.

“O mercado brasileiro nos próximos dez, vinte anos vai se desenvolver. O poder de compra da população tende a aumentar, e há o comércio de commodities que também deve avançar”, disse o executivo, durante sua passagem pelo país, na última semana.

Além de operar linhas de navegação de longa distância na costa brasileira, a Hapag Lloyd possui no país, desde o fim de 2023, uma empresa de cabotagem, a Norcoast, em sociedade com a Norsul. O grupo, porém, ainda não administra terminais portuários no Brasil – no mundo, a companhia já gere 21 terminais em 11 países, como Chile e Colômbia.

Jansen afirma que o grupo está analisando o leilão do novo terminal em Santos, mas destaca que a licitação está prevista só para o fim deste ano e que há diversas outras companhias analisando o ativo. Questionado sobre o interesse em outros terminais no Brasil, ele afirma que o Tecon 10 é a principal oportunidade hoje.

“De todo modo, é muito bom ver um projeto como o ‘STS 10’ [nome do terminal santista]. A capacidade de contêineres no país é apertada”, afirmou o executivo. Para ele, hoje o principal gargalo no Brasil é a infraestrutura, não só nos portos, mas também nas conexões rodoviárias e ferroviárias.

Em relação às novas tarifas impostas pelos EUA, Jansen disse que ainda há muita incerteza. “Tarifas nunca são boas para o comércio global. Hoje, o maior desafio é que o cenário está muito imprevisível e muda de uma semana para a outra, de um dia para o outro. Esperamos que, em 90 dias, tenhamos um pouco mais de estabilidade e previsibilidade sobre o que de fato está acontecendo. Só então poderemos julgar o que vai acontecer com o comércio global. Ainda é cedo para julgar.”

No curto prazo, ele espera um segundo trimestre irregular, após um início de ano com volumes maiores do que em 2024.

“Haverá um período de instabilidade por causa das tarifas, que em alguns casos resultaram em empresas colocando pedidos em espera. O volume geral que movimentamos ainda não mudou muito, mas se olharmos para a rota China-EUA, houve uma queda significativa. Já o serviço do Sudeste Asiático para os EUA aumentou significativamente, mas claro que pode ser uma compensação. As exportações de Japão e Coreia estão estáveis, mas também vemos outras rotas, como EUA-Europa, em alta”, disse. “Ainda é difícil prever os impactos de longo prazo”, resumiu.

Para além da guerra tarifária, a navegação global vem sofrendo com turbulências diversas desde a pandemia. No ano passado, o principal problema foram os ataques no Mar Vermelho, que fecharam o Canal de Suez para grandes embarcações. “Ainda é difícil de prever [quando a empresa voltará a usar a rota]. Há alguns meses, em janeiro, estávamos otimistas”, disse. Porém, hoje o executivo não vê perspectiva de retomada, ao menos em um curto prazo, de até seis meses.

Ele destaca que, para voltar a usar a rota, é necessário haver mais estabilidade, porque retomar a operação e, na sequência, interrompê-la novamente pode gerar um dano ainda maior.

Para ele, as recentes turbulências no mercado global mostram as vantagens de uma cadeia de suprimentos mais diversificada e, no caso das empresas de navegação, o mérito de manter uma capacidade livre apta a mitigar turbulências. “Na crise do Mar Vermelho, que demandou que os navios fizessem rotas mais longas, para dar a volta no Cabo da Boa Esperança, havia uma capacidade adicional que permitiu absorver parte do impacto. Se a oferta e a demanda estivessem justas, a crise teria sido muito maior.”

Fonte: Valor Econômico

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