Dados de março do DataLiner: Brasil Mantém Resiliência em Meio a um Cenário Global de Incertezas
maio, 08, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202520
O comércio exterior brasileiro iniciou 2025 com sinais de resiliência, mesmo diante de um cenário internacional marcado por desaceleração e tensões geopolíticas. Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar apontam um leve crescimento de 0,7% nas exportações brasileiras via contêineres no acumulado de janeiro a março deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024. Em março, a alta foi de 0,4%.
Entre os principais produtos exportados, destacam-se o algodão (+9,2%) e as carnes (+8,2%), que sustentaram a leve expansão. Em contrapartida, as exportações de madeira registraram queda de 7,22%. Na análise por destinos, países como Vietnã (+15,3%) e Holanda (+8,3%) ampliaram suas compras, enquanto houve retrações expressivas nos embarques para a China (-21,1%), México (-19,9%) e Estados Unidos (-0,1%).
Confira a seguir um comparativo das exportações brasileiras de contêineres nos últimos cinco anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Exportações Brasileiras | Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Já as importações brasileiras via contêineres cresceram de forma mais robusta: 13,3% no primeiro trimestre, impulsionadas pela retomada da atividade industrial e investimentos em setores estratégicos. Apenas no mês de março, o avanço foi de 2,5%. Produtos de maior valor agregado lideraram a lista de importações, como reatores, caldeiras e máquinas (+46,1%), equipamentos elétricos (+35,5%) e veículos e autopeças (+15,3%).
A China segue como principal origem das importações, com aumento de 16,06%, enquanto a Índia apresentou um salto de 46,6%. Por outro lado, as importações dos Estados Unidos recuaram 5,9% no mesmo comparativo.
Confira abaixo o desempenho das importações brasileiras via contêineres nos últimos cinco anos. Os dados são do DataLiner:
Importações Brasileiras| Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Esse desempenho reflete a capacidade de adaptação do Brasil diante de um cenário global cada vez mais instável. Em 2025, o comércio internacional vive um momento de inflexão, pressionado por medidas protecionistas, reconfigurações de alianças comerciais e tensões entre as maiores economias do planeta.
Nos Estados Unidos, a política protecionista do segundo mandato de Donald Trump impôs tarifas de 10% sobre a maioria das importações, além de sobretaxas de até 145% sobre produtos chineses. A China respondeu com tarifas de até 125% sobre produtos americanos e vem diversificando seus parceiros comerciais, fortalecendo laços com mercados emergentes na Ásia, África e América Latina.
A União Europeia, por sua vez, reagiu com um pacote de retaliação de € 95 bilhões, tentando conter os impactos negativos sobre seus setores industriais e estudando medidas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A própria OMC revisou suas projeções para o comércio global, estimando uma queda de 0,2% no volume total de mercadorias negociadas em 2025, podendo chegar a uma retração de até 1,5% caso o conflito comercial entre as potências se intensifique.
Paralelamente, o comércio exterior passa por profundas transformações estruturais. A digitalização das cadeias logísticas — com o uso de tecnologias como inteligência artificial, blockchain e Internet das Coisas (IoT) — tem revolucionado os processos operacionais. Ao mesmo tempo, cresce a exigência por práticas sustentáveis e o cumprimento de critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), fatores cada vez mais determinantes nas relações comerciais internacionais.
Com o avanço de acordos regionais, como o Mercosul-União Europeia, a regionalização emerge como tendência para garantir estabilidade diante da fragmentação do sistema multilateral. Neste contexto, o Brasil tem a oportunidade de consolidar sua presença global por meio da diversificação de mercados, investimento em infraestrutura logística e maior agregação de valor à sua pauta exportadora.
Embora enfrente desafios como a volatilidade cambial, gargalos logísticos e alta dependência de commodities, o país tem demonstrado capacidade de ajuste. O desempenho do comércio exterior no primeiro trimestre de 2025 evidencia essa resiliência, reforçando a importância de políticas comerciais estratégicas para sustentar o crescimento em meio às incertezas do cenário internacional.
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