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Carne bovina, café e suco de frutas levam Brasil a novo recorde de exportações para os EUA

jun, 13, 2025 Postado porDenise Vilera

Semana202524

Com carne, suco de frutas e café puxando a alta, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 16,7 bilhões entre janeiro e maio de 2025, um crescimento de 5,0% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da edição especial de maio do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil.

O valor é recorde para o período e reforça o papel dos EUA como principal destino dos bens industrializados brasileiros.

As importações americanas também cresceram, totalizando US$ 17,7 bilhões, alta de 9,9%, o que resultou em um déficit de US$ 1 bilhão para o Brasil no acumulado do ano.

No recorte mensal, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões em maio, alta de 11,5% sobre o mesmo mês do ano anterior. O avanço refletiu também no volume embarcado, que cresceu 16,8%.

“Mesmo em um cenário mais desafiador, o comércio bilateral tem se mostrado resiliente, com crescimento consistente nas trocas entre os dois países. Isso reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico para atender às demandas da indústria e dos consumidores norte-americanos — e vice-versa”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Produtos industrializados lideram exportações

De janeiro a maio, 79% das exportações brasileiras para os EUA foram compostas por bens industriais, como aeronaves, combustíveis, alimentos processados, químicos e máquinas.

Produtos do agronegócio ganharam destaque, puxando a alta:

Carne bovina: +196%
Sucos de frutas: +96,2%
Café: +42,1%
Aeronaves: +27%

Segundo o relatório, esses setores têm mantido a competitividade apesar das tarifas, por fatores como a liderança brasileira em sucos, carnes e café, além da alta demanda dos EUA — impulsionada por consumo e impactos climáticos na produção americana.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina para os Estados Unidos | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Tarifas afetam celulose, ferro-gusa e aço

Alguns setores, no entanto, vêm sentindo os efeitos das tarifas americanas, como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia. A Amcham destaca que tarifas de até 10%, aliadas à concorrência com países como Canadá — beneficiado por acordos como o USMCA —, têm dificultado as vendas brasileiras, especialmente na celulose.

“Acreditamos ser fundamental intensificar o diálogo e a cooperação entre Brasil e Estados Unidos, com foco na redução de barreiras e na ampliação das oportunidades de comércio e investimentos”, destacou Abrão Neto.

Alerta para o aço: tarifa sobe para 50%

O relatório acende um sinal de alerta para as exportações brasileiras de semiacabados de aço. De janeiro a maio, o setor ainda apresentava crescimento de 7,3% em valor e 28,4% em volume, mesmo sob tarifa de 25%.

Parte desses embarques, no entanto, estaria sendo desviada para o México, para consumo na indústria local, o que aponta para uma possível redução real nas vendas aos EUA.

A situação deve se agravar: em 4 de junho, a tarifa para aço foi elevada para 50%, o que tende a comprometer a competitividade brasileira nos próximos meses.

Superávit americano e estabilidade na balança

Enquanto o déficit comercial dos EUA com o mundo cresceu 46,7% até abril, a balança com o Brasil se manteve relativamente estável e favorável aos americanos. Para a Amcham, esse dado mostra que a relação bilateral é estratégica, complementar e promissora.

A entidade afirma que continuará monitorando os fluxos comerciais com foco em apoiar a competitividade das empresas brasileiras, estimular a integração produtiva e fortalecer a cooperação econômica entre os dois países.

Fonte: Agrofy News

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