Portos e Terminais

Projeto que torna CAP deliberativo avança na Câmara dos Deputados

jun, 20, 2025 Postado porDenise Vilera

Semana202524

Um projeto de lei que está com tramitação avançada na Câmara dos Deputados pretende restabelecer a competência deliberativa dos Conselhos de Autoridade Portuária (CAPs). Na última revisão da Lei dos Portos (12.815/2013), há 12 anos, os CAPs foram enfraquecidos, passando a exercer apenas caráter consultivo.

A proposta foi aprovada recentemente na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara Federal e segue para apreciação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Depois, seguirá para o Senado, pois tramita com poder conclusivo das comissões – dispensada, portanto, a apreciação e votação pelo Plenário da Câmara, segundo apurou A Tribuna.

O Projeto de Lei (PL) 3564/2019 é de autoria da deputada federal Rosana Valle (PL). “Trata-se de retomar a atribuição de decisões administrativas — como orçamento, horário de funcionamento, uso de instalações, desenvolvimento e zoneamento — que, antes da atual Lei dos Portos, eram de competência dos CAPs, mas hoje são exercidas de forma centralizada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)”, afirma Rosana.

A deputada acredita que essa centralização trouxe prejuízos aos portos brasileiros, “uma vez que os conselhos, por serem locais, tinham maior conhecimento das necessidades específicas do porto a que pertenciam”. “Defendemos, essencialmente, uma maior participação do município na gestão portuária, em contraposição a um modelo de gestão centralizada em Brasília”, completa a deputada.

O relator, deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), defendeu a aprovação do PL 3564/2019 e dos projetos semelhantes que foram apensados (1064/2021 e 1455/2023), que, juntos, formaram um novo texto (substitutivo). Ele argumentou o mesmo prejuízo para a atividade. “Essa mudança pode não ter impactado todos os portos, mas alguns não conseguiram continuar com seus desempenhos, pois o formato mais centralizado na tomada de decisões faz com que tudo fique mais burocrático de ser resolvido”.

Rosana deixou claro que o substitutivo apresentado pelo relator manteve a essência do projeto de lei dela, detalhando a composição do conselho e incluindo representantes da classe empresarial, dos trabalhadores portuários, dos usuários e do poder público de todas as esferas. “Essa medida torna o conselho mais democrático e participativo, o que consideramos extremamente positivo para o cenário portuário”, explica Rosana.

União

A proposta, no entanto, pode ser barrada. Isso porque foi apresentado este ano o PL 733, que revisa todo o arcabouço legal portuário. Essa nova lei também prevê modificação na atuação dos CAPs. Assim, a tendência é que todas as propostas semelhantes sejam juntadas.

Uma comissão especial já foi criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para apreciar o PL 733. Integrante da comissão, o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) já fez um pedido de anexação desse projeto anterior.

“O PL 733/2025, no entanto, volta a atribuir caráter consultivo aos conselhos e propõe uma composição com 23 membros, enquanto o substitutivo (o anterior) do relator prevê 30”, compara Rosana Valle. “Seguimos defendendo que os CAPs tenham caráter deliberativo, com atribuições reais e relevantes, e participaremos ativamente das negociações na comissão especial do PL 733/2025 para incluir essa modificação no texto”.

Revisão

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou no início deste mês uma comissão especial para discutir o Projeto de Lei (PL) 733/2025 que propõe a revisão da Lei dos Portos (12.815/2013), com o objetivo de modernizar o setor. Segundo o deputado Murilo Galdino (Republicanos-PB), será o presidente da comissão e o deputado Arthur Maia (União-BA) ficará como relator. Com a comissão, o PL deve andar mais rapidamente, dispensando análise de outras comissões da Casa.

Atribuições reais

“O PL 733/2025, no entanto, volta a atribuir caráter consultivo aos conselhos e propõe uma composição com 23 membros, enquanto o substitutivo (o anterior) do relator prevê 30. Seguimos defendendo que os CAPs tenham caráter deliberativo, com atribuições reais e relevantes, e participaremos ativamente das negociações na comissão especial”, afirma Rosana Valle.

Fonte: A Tribuna

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