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Exportação de café cai 27% no Brasil em julho, mas receita cresce antes do tarifaço de Trump

ago, 18, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202535

Relatório divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que o País embarcou 2,733 milhões de sacas de 60 kg do produto em julho, primeiro mês do ano safra 2025/26. O total significa uma queda de 27,6% na comparação com o mesmo mês de 2024. Já a receita cambial foi recorde para meses de julho, com o ingresso de US$ 1,033 bilhão, crescimento de 10,4% no comparativo anual.

No acumulado dos sete primeiros meses de 2025, a exportação de café do Brasil recuou 21,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, com os embarques caindo de 28,182 milhões de sacas para 22,150 milhões. A receita, por sua vez, cresceu 36% ante o obtido entre janeiro e julho de 2024, alcançando o recorde para o período, de US$ 8,555 bilhões.

“Uma redução nos embarques já era aguardada neste ano, uma vez que tivemos exportações recordes em 2024. Estamos com estoques reduzidos e uma safra sem excedentes, com o potencial produtivo total impactado pelo clima. No que se refere à receita cambial, ainda surfamos a onda dos elevados preços no mercado internacional, que reflete o apertado equilíbrio entre oferta e demanda ou mesmo um leve déficit na disponibilidade”, explica Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.

Portos
O Porto de Santos continua como o principal exportador dos cafés do Brasil em 2025, com o embarque de 17,809 milhões de sacas e representatividade de 80,4% nos sete primeiros meses do ano. Na sequência, vêm o complexo portuário do Rio de Janeiro, que responde por 15,5% ao enviar 3,429 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 208.950 sacas e tem representatividade de 0,9%

Os Estados Unidos seguem como o maior comprador dos cafés do Brasil no acumulado dos sete primeiros meses de 2025, com a importação de 3,713 milhões de sacas, o que corresponde a 16,8% dos embarques totais, apesar de apresentar declínio de 17,9% na comparação com o adquirido entre janeiro e julho de 2024.

“Até julho, não observamos de fato o impacto do tarifaço de 50% do governo dos Estados Unidos imposto para a importação dos cafés do Brasil, já que a vigência da medida começou em 6 de agosto”, explica Ferreira.

Segundo ele, a partir de agora, as indústrias americanas estão em compasso de espera. “Pois possuem estoque por 30 a 60 dias, o que gera algum fôlego para aguardarem um pouco mais as negociações em andamento. Porém, o que já visualizamos são eventuais pedidos de prorrogação, que são extremamente prejudiciais ao setor”, comenta.

Confira abaixo um histórico das exportações de café em grão para os Estados Unidos a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grãos para os Estados Unidos | Jan 2022 a Jun 2025 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Tipos do produto
Nos primeiros sete meses de 2025, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com o envio de 17,940 milhões de sacas ao exterior. Esse montante equivale a 81% do total, ainda que implique queda de 13,3% frente a idêntico intervalo antecedente. O segmento do café solúvel veio na sequência, com embarques equivalentes a 2,229 milhões de sacas (10,1% do total), seguido pela espécie canéfora (conilon + robusta), com 1,949 milhão de sacas (8,8%), e pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 31.755 sacas (0,1%). Os cafés que têm certificados de práticas sustentáveis ou qualidade superior responderam por 21,5% das exportações totais brasileiras entre janeiro e julho de 2025, com a remessa de 4,759 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 8,8% inferior ao aferido no acumulado dos primeiros sete meses do ano passado.

Ações
O Cecafé afirma continuar o trabalho para alcançar, junto ao governo brasileiro, aos pares do setor privado norte-americano e a outros canais pertinentes nos Estados Unidos, o entendimento para que os cafés do Brasil entrem na lista de isenção do tarifaço, uma vez que o produto não é cultivado em escala no país parceiro.

“E por desempenhar papel fundamental na economia dos EUA, na satisfação dos consumidores locais e pelo fato de os dois países possuírem uma relação de interdependência, com o Brasil sendo o maior produtor e exportador mundial e o líder no fornecimento de café ao país do Hemisfério Norte, e os Estados Unidos ocupando o posto de maior importador e consumidor global, além de principal destino do produto brasileiro”, afirma, em nota, o Cecafé.

Para o presidente da entidade, não se pode sacrificar uma relação comercial construída em favor da cafeicultura. “Nossa história é muito maior do que o momento que estamos vivendo e, com pragmatismo e diplomacia, devemos negociar em favor dos dois lados. Ao longo da história do crescimento da economia brasileira, o café sempre esteve à frente de seu tempo, não somente em números, mas desempenhando um papel social”, diz ele.

Fonte: A Tribuna

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