Obra para reduzir gargalos na Tietê-Paraná deve ficar pronta em 2026
set, 03, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202537
O governo de São Paulo pretende concluir em 2026 uma das principais obras de infraestrutura da Hidrovia Tietê-Paraná: o derrocamento do canal de Nova Avanhandava, um antigo gargalo para a navegação na região. Com 70% das intervenções concluídas, o projeto envolve a retirada de rochas submersas em um trecho de 16 quilômetros a jusante da usina hidrelétrica e já movimentou mais de 300 mil metros cúbicos de material — o equivalente a 221 piscinas olímpicas.
O investimento na obra é de R$ 293 milhões, em uma iniciativa conduzida pelo governo estadual em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Eletrobras e Cetesb. Do total, R$ 107 milhões vieram via DNIT, e outros R$ 211 milhões da Eletrobras — R$ 147 milhões previstos no processo de privatização da companhia e R$ 64 milhões adicionados neste ano.
“O objetivo é garantir uma profundidade mínima de 3,5 metros no canal e mitigar os conflitos no uso da água entre geração de energia e transporte fluvial, principalmente em períodos de estiagem, quando os comboios precisam ser paralisados”, afirmou ao Valor a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende.
As explosões subaquáticas são feitas com tecnologia que reduz impactos ambientais, com o uso de bolhas de contenção para proteger a fauna, segundo ela.
Além do derrocamento, o governo tem ampliado os vãos de pontes em rodovias paulistas como a SP-333 e a SP-425, onde era necessário desacoplar comboios para transpor trechos estreitos.
A integração com a malha ferroviária também é prioridade. O investimento conta com apoio do BID e está inserido no Plano Plurianual do Estado.
Também está em estudo pelo governo um modelo de concessão administrativa para a hidrovia. “Temos conversado com toda a cadeia, de produtores de celulose a concessionárias ferroviárias como Rumo e MRS, para mapear oferta, demanda e criar um plano logístico integrado com segurança jurídica”, acrescentou.
A concessão administrativa, diferentemente da comum ou patrocinada, prevê 100% do aporte do Estado e não implica cobrança do usuário. A amortização se dá ao longo do tempo, o que pode atrair operadores e impulsionar a movimentação. A experiência deve ser testada primeiro na Hidrovia do Alto Tietê, em projeto voltado à dragagem e ao desassoreamento dos rios.
“O potencial é gigantesco. O Brasil precisa colocar a hidrovia como prioridade”, defendeu Resende, que já atuou no Ministério da Infraestrutura.
Outro eixo da proposta envolve a concessão de terminais até 2050, o que incluiria atracadouros, eclusas e outros ativos da hidrovia. A modelagem, segundo a secretária, ainda está em estudo, e o governo avalia qual tipo de contrato faz mais sentido — se obra pública como em Nova Avanhandava, ou concessão de longo prazo.
Fonte: Globo Rural
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