Economia

Novo mês de dados do DataLiner: Exportações brasileiras recuam; indústria puxa importações

set, 04, 2025 Postado porLucas Lorimer

Semana202537

Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar apontam que as exportações brasileiras de contêineres recuaram 0,1 % entre janeiro e julho de 2025, em relação ao mesmo período de 2024. Em contrapartida, julho apresentou uma leve alta de 1,6 %, sinalizando uma possível recuperação após meses de oscilação.

A China manteve-se como principal destino dos embarques via contêiner, mas com queda significativa de 14,1 %. Já os Estados Unidos, mesmo em um ambiente de tensões comerciais, registraram aumento de 4,3 %; o México recuou 9,9 % no período. Em termos de produtos, carnes lideraram os embarques (+1,1 %), seguidas por madeira (–6,9 %) e algodão (–4,9 %).

Confira abaixo um comparativo das exportações brasileiras de contêineres nos sete primeiros meses do ano nos últimos quatro anos . O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras | Jan-Julho 2022-2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Importações seguem em forte expansão

Na outra ponta, o Brasil teve expressivo avanço nas importações por contêiner: +8,8 % no acumulado até julho na comparação com os sete primeiros meses de 2025 e +1,2 % apenas no mês. Destaque para reatores, caldeiras e máquinas, com alta de 34,1 %, apontando para investimentos industriais; também cresceram veículos e autopeças (+7,7 %) e plásticos (+4,3 %).

A China figurou como principal origem das importações, com aumento de 12,4 %; os Estados Unidos registraram pequena queda (–0,1 %) e a Alemanha ficou estável (+0,3 %).

Veja abaixo um histórico das importações brasileiras de contêineres no período de janeiro de 2022 a julho de 2025.O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Veja a seguir um comparativo das importações brasileiras de contêineres nos sete primeiros meses do ano nos últimos quatro anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Importações Brasileiras | Jan-Julho 2022-2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Entre vizinhos, a Argentina avançou 56,8 % nas importações e 2,4 % nas exportações, enquanto o Uruguai teve alta de 11,8 % nas importações e 5,8 % nas exportações.

Cenário econômico e Perspectivas econômicas futuras

Em geral, os dados do país apresentam sinais mistos: o PIB cresceu 5,7 % no primeiro trimestre, mas recuou 0,8 % no seguinte (IBC-Br). O superávit comercial até julho foi de US$ 37 bilhões, 25 % menor que no ano anterior (MDIC). Ainda assim, o avanço de importações de maquinário indica continuidade de investimentos, mesmo num contexto de juros elevados e previsões de desaceleração para 2025–2026.

Analistas projetam desafios e oportunidades nos próximos meses: a diversificação de mercados — com foco na Índia, Oriente Médio e Sudeste Asiático — será estratégica frente às tensões com os EUA e à demanda fragmentada da China. Os investimentos em infraestrutura portuária e a aposta em produtos de maior valor agregado podem reforçar a resiliência do Brasil num ambiente global cada vez mais fragmentado.

Acordo Mercosul-União Europeia

Nesta semana, a Comissão Europeia encaminhou à aprovação final dos governos da UE e do Parlamento Europeu o tão aguardado acordo comercial com o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), após mais de 25 anos de negociações. O texto inclui salvaguardas para proteger setores agrícolas da Europa — como lançamento de mecanismo de investigação em caso de aumento de importações acima de 10 % ou queda de preços, além de um fundo de apoio de quase €1 bilhão para agricultores.

Se ratificado até o fim do ano, espera-se que o tratado crie a maior zona de livre‑comércio do mundo, com impacto potencial de crescimento de até 39 % nas exportações europeias para o Mercosul. Para o Brasil, o acordo pode representar impulso adicional à diversificação de mercados, consolidação de cadeias de suprimento e atração de investimentos. No entanto, persistem desafios: oposição de países europeus como França e Polônia e críticas de grupos ambientais sobre possíveis impactos na produção sustentável.

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