Portos e Terminais

Porto terá terminal de tancagem para armazenar combustível

set, 29, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202541

O Porto do Açu, no Noroeste do Estado do Rio, vai inaugurar em dezembro de 2026 um terminal de tancagem para granéis líquidos, que terá capacidade inicial de 40 mil metros cúbicos, mas pode chegar a 300 mil metros cúbicos, segundo o projeto existente. A Vast, empresa 100% controlada pela Prumo, começou em junho a construção da primeira fase do parque de tancagem, que receberá investimento de R$ 250 milhões.

O presidente da Vast, Victor Bomfim, ressalta que a empresa espera definir até o fim do ano qual será a forma de financiamento para arcar com os custos da instalação do terminal. Será a primeira unidade de granéis líquidos instalada no Açu. Bomfim diz que a motivação para a empresa investir no armazenamento de granéis líquidos passou pela necessidade do próprio porto. “Não existe nenhum porto no Brasil que não tenha um terminal para granéis líquidos”, afirma.

A espinha dorsal para a construção foram dois contratos de longo prazo, assinados pela Vast com a Efen, parceria entre Prumo e BP que trabalha com combustível marítimo, e com a Vibra. Com isso, a Vast teve a garantia para a construção da primeira fase do sistema de tancagem, para armazenar diesel marítimo para a Efen e óleo base para lubrificantes para a Vibra. “A partir desses contratos estruturantes vamos começar a crescer e manusear outros tipos de líquidos”, diz Bomfim.

Uma questão ainda longe de solução no Porto do Açu é o destino da área originalmente pensada para abrigar a OSX, companhia do grupo X dedicada à construção de navios de grande porte. A derrocada da OSX aconteceu a reboque da quebra da “irmã” OGX, responsável pela exploração e produção de petróleo do grupo X. Quando se percebeu que a OGX não entregaria o prometido, houve um efeito dominó que levou junto as demais empresas do grupo. A OSX também perdeu encomendas de navios-plataforma, que viabilizariam o estaleiro, quando vieram à tona os escândalos revelados pela Lava Jato envolvendo a Petrobras.

A OSX entrou em recuperação judicial em 2013, com dívidas à época de R$ 4,5 bilhões. No processo de recuperação, mudou o seu objeto social, deixando de ser uma fabricante de navios para arrendar a área no Açu, que passou a funcionar como terminal portuário. Hoje, a empresa capta clientes que queiram se instalar no porto e cobra um aluguel pela área.

Mas as dívidas da OSX seguiram se acumulando e, em janeiro do ano passado, a empresa entrou em sua segunda recuperação judicial, dessa vez por débitos de R$ 7,9 bilhões. O novo processo corre na 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a mesma da primeira recuperação judicial. O Valor apurou que o endividamento da companhia é de R$ 7,6 bilhões. O maior credor é o Fundo Vessel, com R$ 2,367 bilhões, seguido pela Caixa, com R$ 1,7 bilhão, e pelo próprio Porto do Açu, com R$ 1,6 bilhão. A seguir, a espanhola Acciona — que na época da construção do porto foi responsável por parte das obras civis — aparece com R$ 503 milhões e o BTG, com R$ 471 milhões.

Para Rogério Zampronha, presidente da Prumo Logística, controladora do Porto do Açu, a empresa aguarda o desenrolar da segunda recuperação judicial “para entender como é que a gente pode capturar a área que é nossa”. Segundo ele, a OSX aluga uma área do Açu e a subloca para terceiros e “nunca pagou pelo aluguel”. “Eles [OSX] recebem aluguel, mas nunca pagaram nada para a gente. A gente é dono da área e não recebe nada há mais de dez anos”, diz. O caso está em arbitragem sobre a cobrança dos aluguéis desde que a Porto do Açu entrou com uma ação de execução pelo não pagamento, disseram fontes ao Valor.

Fonte: Valor Econômico

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.