Demanda de GNL como combustível marítimo se duplicará até 2030
out, 03, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202541
A demanda de gás natural liquefeito (GNL) como combustível marítimo deverá se duplicar até – pelo menos – 2030, segundo executivos do setor. O motivo é o abundante fornecimento e o endurecimento das regulamentações sobre emissões, que vêm impulsionando os pedidos de navios capazes de operar com esse tipo de combustível.
Espera-se que os projetos de exportação de GNL nos Estados Unidos e no Catar gerem um excesso de oferta até 2030, o que reduzirá os preços e aumentará sua competitividade em relação ao óleo combustível convencional, mais poluente.
O GNL está superando outros combustíveis no processo de descarbonização do transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais, pois os obstáculos no fornecimento e na infraestrutura obscurecem as perspectivas de alternativas mais limpas, como metanol e amônia.
“Os proprietários, em última instância, escolherão o combustível que oferecer o menor custo”, comentou Tuomas Maljanen, diretor associado de GNL e novas energias no corredor marítimo Fearnleys.
“O GNL é excelente porque já existe infraestrutura. Está facilmente disponível… e talvez mais adiante, com sorte, seja bastante barato também”, acrescentou.
Singapura, o principal centro mundial de abastecimento de combustível marítimo, liderou a atividade global de fornecimento de GNL no terceiro trimestre, seguida pela China e pelos Países Baixos, segundo a consultoria Rystad Energy. O país planeja emitir licenças adicionais para o fornecimento de combustíveis.
Os volumes globais de abastecimento de GNL poderão superar 4 milhões de toneladas até o final de 2025 e se duplicar até 2030, segundo Jo Friedmann, vice-presidente sênior de pesquisa da cadeia de suprimentos na Rystad Energy.
A francesa TotalEnergies prevê que a demanda global de GNL e bio-GNL como combustível marítimo dispare para 15 milhões de toneladas até 2030.
Atualmente, cerca de 781 navios de duplo combustível podem usar GNL, de acordo com dados do certificador naval DNV.
“Segundo a carteira de pedidos atual, o número de embarcações será de 1.417 para 2030, mas esperamos que aumente à medida que novos pedidos sejam confirmados”, indicou Kristian Hammer, gerente de produto da AFI e consultor sênior na DNV.
Redução imediata
O abastecimento com GNL reduz as emissões do óleo combustível em 19% no critério “well-to-wake” (do poço ao uso final), segundo a Mitsui O.S.K. Lines, que possui a segunda maior frota marítima do mundo. A companhia opera 15 embarcações de duplo combustível com GNL e tem outras 42 encomendadas.
“Até que combustíveis de zero ou quase zero emissões estejam amplamente disponíveis, o GNL continua sendo uma opção realista para descarbonizar o transporte marítimo em termos de disponibilidade, rentabilidade e segurança”, afirmou a empresa.
A Maersk, que até o ano passado se concentrava exclusivamente no metanol verde como combustível alternativo, encomendou 20 porta-contêineres de duplo combustível com GNL para entrega entre 2028 e 2030.
A TotalEnergies prevê que o GNL superará outros combustíveis marítimos alternativos, como metanol e amônia, após 2030. “A produção de metanol renovável e amônia ainda está em uma fase inicial, com infraestrutura de abastecimento limitada e falta de competitividade econômica frente aos combustíveis convencionais – aspectos que precisam ser superados antes de uma adoção em larga escala”, destacou a empresa.
Regulamentações
A norma FuelEU da Europa, que entrou em vigor este ano, limita a intensidade de carbono do combustível dos navios que atracam em seus portos e deve impulsionar a adoção do abastecimento com GNL.
Neste mês, um comitê da Organização Marítima Internacional (OMI) votará uma norma redigida em abril que impõe tarifas sobre emissões aos navios que a descumprirem e recompensa as embarcações que utilizarem combustíveis mais limpos a partir de 2028.
No entanto, os Estados Unidos rejeitaram o acordo, e um grupo das principais companhias de navegação está exigindo modificações.
“Até que as regulamentações da OMI entrem em vigor, a atividade de abastecimento de GNL continua muito sensível aos preços do GNL como combustível marítimo, especialmente para as embarcações que operam em rotas fora da União Europeia”, observou Friedmann, da Rystad.
Os preços do GNL como combustível marítimo foram, em média, 247 dólares por tonelada métrica acima do óleo combustível marítimo durante os primeiros nove meses deste ano, segundo dados da S&P Global. No entanto, espera-se amplamente que o excesso de oferta de GNL previsto para o fim da década exerça pressão sobre os preços.
Imagem gerada por Inteligência Artificial
Fonte: Portal Portuario
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