Economia

Novo mês de dados do DataLiner: Exportações brasileiras via contêineres recuam no 8M25; primeiros números após o “tarifaço” dos EU

out, 02, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202541

Os dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar, com base no DataLiner, mostram que, de janeiro a agosto de 2025, as exportações brasileiras via contêineres caíram 0,7% em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação agosto/25 vs. agosto/24, a queda foi de 4,9%. Estes são os primeiros números após a entrada em vigor do “tarifaço” norte-americano sobre produtos brasileiros — uma tarifa adicional que elevou a alíquota total para 50% a partir de 6 de agosto de 2025.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras via contêineres nos oito primeiros meses do ano nos últimos quatro anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner e mostra uma Trajetória de alta até 2023, estabilização em 2024 e leve retração no 8M25. O dado de agosto reflete o primeiro mês sob o novo regime e o tarifaço dos EUA.

Exportações de contêineres do Brasil | Jan-Ago 2022 a 2025 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Produtos

No 8M25, carnes lideraram as exportações via contêineres (+2,4% a/a), enquanto madeira (–9,4%), algodão (–6%) e café (–19,6%) recuaram. A correção mais forte no café dialoga com a piora do acesso ao mercado americano após as tarifas; entidades do setor já reportam quedas acentuadas de embarques ao EUA desde agosto.

Destinos

A China seguiu como principal destino no acumulado (–11,6% a/a em volume). Nos EUA, a variação de agosto foi o destaque negativo: –40,5% vs. agosto/24 — um recuo coerente com a mudança súbita do quadro tarifário e realocação de compras. Análises independentes sugerem que as tarifas devem redesenhar fluxos globais de proteína bovina, com o Brasil buscando alternativas e os EUA ampliando compras de terceiros países.

Importações brasileiras seguem firmes no 8M25, apesar de recuo pontual em agosto

As importações via contêineres cresceram 7,3% no acumulado jan–ago/25 vs. 2024, embora agosto tenha ficado 3,1% abaixo de ago/24.

Abaixo, um histórico das importações brasileiras via contêineres nos oito primeiros meses do ano nos últimos quatro anos. o gráfico foi elaborado com dados do DataLiner. Oovimento de alta desde 2024, puxado por bens de capital e intermediários;já o mês de agosto mostra ajuste pontual após antecipações ao longo do ano.

Importações de contêineres do Brasil | Jan-Ago 2022 a 2025 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Plásticos lideraram (+3,2%), seguidos por reatores, caldeiras e máquinas (+27%) e veículos e autopeças (+7,1%). China permaneceu como principal origem (+8,7% no acumulado), seguida de EUA (–1,9%) e Alemanha (+2%).

Contexto macro: tarifas e comércio mundial

O novo regime tarifário dos EUA passou a valer em 6/ago/2025, combinando um adicional de 40% às tarifas recíprocas de 10% anunciadas em abril, totalizando 50% sobre importações de produtos brasileiros.

A OMC revisou seu cenário em 8/ago/2025: o comércio mundial de mercadorias agora deve crescer 0,9% em 2025, com efeitos de “frontloading” (antecipação de compras) nos EUA no início do ano e perda de tração adiante devido às tarifas mais altas. Para 2026, a projeção foi reduzida para 1,8%.

No recorte setorial, analistas vêm apontando que o “tarifaço” deve redirecionar fluxos da carne bovina (com ganhos para fornecedores alternativos dos EUA e realocação de volumes brasileiros para outros mercados), enquanto exportações brasileiras de café aos EUA já mostram quedas expressivas desde agosto.

Plate: Argentina e Uruguai

Argentina: exportações via contêineres +6,2% no acumulado e +16,4% em agosto; importações +69,7% (acumulado) e +81,2% em agosto — forte recomposição de estoques e demanda.

Uruguai: exportações +5,9% (acumulado) e +6,4% em agosto; importações +11,6% (acumulado) e +9,1% em agosto — crescimento sustentado.

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