FT: Demanda em alta faz EUA importar cada vez mais carne, apesar de tarifas, diz dono da JBS
out, 06, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202542
Wesley Batista, um dos irmãos bilionários por trás da maior empresa de carnes do mundo, a JBS, afirmou que os Estados Unidos não estão produzindo carne bovina suficiente para atender ao apetite crescente do país por dietas ricas em proteínas, tornando-se cada vez mais dependentes de importações.
“Os EUA enfrentam o maior preço da carne bovina da história e, portanto, é preciso importar cada vez mais porque a produção interna não é suficiente para atender à demanda”, disse Wesley Batista, cuja família fundou e controla a JBS do Brasil.
O preço médio de meio quilo de carne moída atingiu o recorde de US$ 6,32 nas cidades dos EUA em agosto, um aumento de 13% em relação ao ano passado, segundo dados do Departamento do Trabalho.
Apesar das tarifas abrangentes do “Dia da Libertação”, anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 2 de abril, os Estados Unidos importaram 30% mais carne bovina no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano.
As importações de carne bovina brasileira aumentaram 91% no mesmo período, antes de caírem em agosto, depois que os EUA elevaram as tarifas sobre produtos brasileiros de 10% para 50%.
Exportações de carne bovina para os Estados Unidos | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
A JBS é a maior produtora de carne bovina dos EUA, com novas unidades no país. Os negócios do grupo nos EUA — que abrangem carnes e alimentos — representaram metade de sua receita de US$ 77 bilhões em 2024.
Batista, falando na conferência de consumidores da Rothschild em Londres no mês passado, disse que o uso crescente de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 pode estar impulsionando a demanda por proteína. Usuários de GLP-1 são aconselhados a consumir bastante proteína para manter a densidade muscular.
“Ninguém sabe exatamente qual é o impacto desses novos medicamentos, Ozempic ou Mounjaro… mas algo está acontecendo, porque a proteína em geral virou tendência”, afirmou. “No passado, o médico dizia que você não deveria comer muitos ovos ou muita proteína. Agora é o contrário.”
Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Conselho Internacional de Informação Alimentar, organização sem fins lucrativos financiada pela indústria, mostrou que 71% dos entrevistados estavam tentando comer mais proteína, em comparação com 67% em 2023 e 59% em 2022.
Batista, que foi presidente-executivo da JBS e agora integra o conselho, disse que as tarifas não estão prejudicando a empresa, já que a maior parte da carne bovina destinada ao mercado americano é produzida internamente.
“É claro que os produtos ainda estão ficando mais caros em alguns mercados, mas a demanda continua muito forte, especialmente nos EUA”, acrescentou.
Larissa Alvarez, analista da StoneX, afirmou que o aumento dos preços da carne bovina nos EUA “é impulsionado principalmente pela redução da oferta de gado, com o menor rebanho desde a década de 1950”.
Secas no sudeste dos Estados Unidos secaram as pastagens e forçaram pecuaristas a reduzir seus rebanhos. Os preços recordes dos bezerros também levaram os pecuaristas a vender em vez de criar os animais.
“[Isso] se combina com uma demanda internacional estruturalmente forte, dado o alto consumo per capita, já que o país é um dos maiores consumidores do mundo”, disse Alvarez.
Controlada por Wesley e Joesley Batista — cujo pai fundou a empresa há mais de 70 anos —, a JBS cresceu de um matadouro local para um gigante global de alimentos.
A empresa, que também é a segunda maior produtora de frango e carne suína dos EUA, passou a diversificar seus produtos para ovos, peixes, refeições prontas e produtos à base de plantas nos últimos anos.
Os irmãos, que detêm pouco menos da metade das ações da JBS, mas a maioria dos direitos de voto, realizaram um sonho antigo ao transferir a principal plataforma de negociação da empresa de São Paulo para Nova York em junho, superando forte oposição de ativistas ambientais. Desde então, as ações do grupo subiram 3,5%, avaliando-o em US$ 15,9 bilhões.
Na última década, a JBS se envolveu em um escândalo de corrupção política no Brasil e foi duramente criticada por grupos de campanha por sua suposta contribuição para a destruição da Amazônia pela pecuária.
A empresa afirma estar erradicando o desmatamento de suas cadeias de suprimento. Os irmãos Batista disseram no mês passado que há muito espaço para o setor de carne bovina do Brasil se tornar mais eficiente.
“Estamos trabalhando com produtores rurais em todos os lugares para ajudá-los a produzir mais com a mesma quantidade de terra e recursos”, disse Batista. Ele acrescentou que os produtores americanos poderiam produzir a mesma quantidade de carne bovina com metade do rebanho que os brasileiros, graças à criação seletiva e à nutrição superior.
O último relatório da Comissão EAT-Lancet defende dietas sustentáveis baseadas principalmente em vegetais, limitando o consumo de carne vermelha a uma vez por semana, aves e peixes cerca de duas vezes por semana e laticínios uma vez por dia. Pessoas em países de alta renda, como os EUA, consomem várias vezes mais carne vermelha do que essa dieta permite, de acordo com o documento, que reúne 70 cientistas de alimentos e clima de 35 países.
Fonte: Valor Econômico
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