EU-Mercosur agreement / acordo UE-Mercosul
Regras de Comércio

Agricultores franceses insistem em barrar acordo UE-Mercosul

nov, 08, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202546

Apesar do otimismo do governo brasileiro e das sinalizações positivas da Europa para a assinatura final do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, possivelmente no dia 20 de dezembro, no Rio de Janeiro, agricultores franceses prometem manter a resistência e “lutar contra” a concretização do tratado.

“É um grande problema para nós. Somos a moeda de troca. Nós temos a impressão que vamos perder uma parte do mercado”, afirmou o produtor rural francês Arnold Puech d’Alissac, presidente da Organização Mundial de Agricultores (WFO, na sigla em inglês), a jornalistas no último dia 6, durante a Cúpula dos Agricultores da COP30.

Segundo ele, os agricultores europeus têm custos de produção mais altos que os do Mercosul, são proibidos de usar agrotóxicos permitidos nos países sul-americanos e terão um novo imposto sobre fertilizantes nitrogenados a partir de 2026. Para a classe produtiva europeia, o acordo pode gerar uma “concorrência desleal” que beneficiará agricultores de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, disse d’Alissac.

“Temos um custo de produção mais elevado. Não temos grandes confinamentos, a questão dos pesticidas que vocês utilizam e nós não temos o direito de utilizá-los. E isso aumenta, obviamente, o nosso custo produtivo”, argumentou.
D’Alissac citou um novo imposto que será cobrado dos produtores a partir de janeiro de 2026, de 30 a 400 por tonelada de adubo nitrogenado químico. “Todo mundo produz isso com gás. Vamos pagar esse imposto. É uma nova distorção da concorrência. Vocês [sul-americanos] não vão pagar esse imposto. O produto que vão vender para nós também não vai sofrer a imposição. Os agricultores europeus não entendem esse jogo duplo”, criticou.

“Os agricultores europeus continuam lutando contra o acordo. Eles são favoráveis a um acordo, mas não a este acordo. O problema é que a discussão parou há seis anos”, afirmou.

D’Alissac é produtor rural na Normandia e membro da diretoria da Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA, na sigla em francês) desde 2014. A entidade esteve no centro da polêmica que quase causou uma crise diplomática entre Brasil e França no ano passado.

Em novembro de 2024, o presidente global do Carrefour, Alexandre Bompard, enviou uma carta a Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, em que informava a decisão da rede varejista de excluir as carnes de países do Mercosul de seu portfólio de produtos na França. A medida teria sido motivada pelo “desespero e raiva” dos agricultores franceses diante do acordo da UE com o bloco sul-americano. A varejista voltou atrás e pediu desculpas ao governo brasileiro após tratativas com o Ministério da Agricultura e ameaças de boicote do setor produtivo nacional.

Questionado sobre itens que poderiam ser incluídos no acordo para obter o aval dos produtores europeus, D’Alissac citou cláusulas de salvaguardas que possam ser adotadas de forma fácil e unilateral, como as que a UE mantém com o Reino Unido após a saída dos britânicos do bloco europeu.

“Se o comércio estiver perturbado entre o Reino Unido e a União Europeia, podemos bloquear a relação comercial de um dia para o outro, seja de um lado ou do outro. Com o Mercosul, por exemplo, só podemos bloquear temporariamente o acordo. E somente nos seis primeiros anos de validade do acordo”, disse.

Ele afirmou que defende um acordo com o Mercosul, principalmente que reconheça os vinhos e os derivados do leite. “Precisamos de vocês. Também temos barreiras. Eu, como presidente da WFO, quero que os agricultores sejam felizes, mas não quero que os meus agricultores sejam infelizes. Mas sentimos que está havendo uma distorção do mercado”, afirmou.

Fonte: Globo Rural

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