Cabotagem avança no Nordeste com novas linhas e custo menor
nov, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202547
Custo menor de transporte e ampliação de escalas marítimas têm impulsionado a cabotagem no Nordeste. Segundo operadores, há cada vez mais adesão a essa modalidade de transporte, especialmente nos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), dois dos mais importantes da região, onde 82% e 72% dos contêineres movimentados, respectivamente, são por cabotagem, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Há espaço para crescimento. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que menos de um terço das indústrias do Nordeste utilizam o modal. Ainda assim, impulsionado pela posição geográfica da região, o transporte de mercadorias de alto valor agregado (como eletrônicos e produtos industrializados) e de consumo (alimentos, bebidas e vestuário) por embarcações que fazem navegação costeira saltou de 8,94 milhões de toneladas, em 2021, para pouco mais de 10 milhões em 2024.
Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), destaca que o avanço também se deve ao menor custo em distâncias acima de 1,5 mil km. O modal é considerado mais seguro, com índice de roubo praticamente nulo, e oferece serviço porta a porta.
“Quando se avalia o impacto econômico da cabotagem, é importante considerar que a redução de custos não se limita ao valor do frete, mas à eficiência gerada pelo modelo marítimo”, afirma Felipe Gurgel, diretor comercial da Log-In Logística Integrada, que atua na região. Segundo ele, o modal traz ganhos em previsibilidade, segurança e controle operacional, com menor incidência de avarias, redução de riscos logísticos e, consequentemente, de custos com seguros.
A Log-In registrou crescimento de 36% no volume de cargas destinadas aos portos nordestinos entre 2021 e 2024, reflexo do fortalecimento da infraestrutura portuária e da maior adesão das empresas locais. Desde 2023, cerca de 68,5% de toda a carga movimentada pela companhia por cabotagem teve origem ou destino entre portos da região.
Ainda há entraves. Segundo a CNI, empresários locais apontam incompatibilidade geográfica com rotas existentes (45%), indisponibilidade de serviços regulares (39%), tempo de trânsito elevado (15%) e distância entre fábricas e portos (15%). Também são citados problemas como infraestrutura portuária insuficiente, estradas em más condições e limitada integração multimodal, que aumentam custos e tempo de transporte.
A Log-In lançou recentemente uma nova escala em Suape, ampliando sua capacidade de atendimento. Já a Aliança Navegação & Logística prevê aumento da movimentação no porto com o início das operações da APM Terminals Suape, primeiro porto 100% eletrificado da América Latina, previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2026. Suape bateu recorde nos primeiros sete meses do ano, com pouco mais de 389 mil TEUs movimentados.
“Com localização privilegiada, infraestrutura modernizada e eletrificada, uso de tecnologia de ponta e soluções sustentáveis, o terminal será ponto-chave na integração das cadeias produtivas do Nordeste”, diz José Roberto Duque, diretor comercial da Aliança Navegação & Logística. “Para que a cabotagem seja mais utilizada, é necessário investir em infraestrutura, ampliar linhas, reduzir custos e burocracia e fortalecer a integração tecnológica e logística.”
Duque observa que a modernização tecnológica dos terminais avança em ritmos desiguais, com poucos portos totalmente automatizados ou eletrificados. Gurgel, da Log-In, cita ainda os custos operacionais elevados nos portos da região. Por outro lado, ele afirma que o programa BR do Mar, do governo federal, tem contribuído para a expansão das operações — a companhia aumentou sua capacidade ofertada no Nordeste em mais de 75% desde o lançamento do programa.
Fonte: Valor Econômico
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