Corredores marítimos verdes avançam com China, Índia e Brasil
nov, 27, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202548
O impulso global para desenvolver corredores marítimos verdes ganhou força em 2025, com 25 novas rotas comerciais de emissão zero lançadas neste ano e grandes economias emergentes assumindo papel mais ativo nessa agenda, segundo o mais recente Relatório Anual de Progresso sobre Corredores Marítimos Verdes, da Getting to Zero Coalition e do Global Maritime Forum.
A quarta edição do relatório, “At a Crossroads” (Em uma Encruzilhada), eleva o total mundial para 84 iniciativas de corredores ativos, ante 59 há um ano, e mostra uma mudança significativa nas atividades rumo a China (+4), Índia (+4), Brasil (+2), Chile (+2), Gana e Quênia. Segundo os autores, esses países estão se posicionando antecipadamente para capturar vantagens industriais e energéticas associadas a novos combustíveis de emissão zero e polos de abastecimento.
A atualização chega poucas semanas após a Organização Marítima Internacional (IMO) adiar para pelo menos outubro do próximo ano a adoção do seu aguardado Marco de Emissões Líquidas Zero, que visa reduzir a diferença de custo entre combustíveis fósseis e alternativas mais limpas. O relatório alerta que o atraso pode estimular uma postura de “esperar para ver”, arriscando frear o progresso.
“A entrada de países como China, Índia e Brasil nos corredores verdes é extremamente promissora,” afirmou Jesse Fahnestock, diretor de descarbonização do Global Maritime Forum. “Mas esses corredores não são apenas projetos climáticos — são infraestrutura econômica estratégica. Os pioneiros terão ganhos em energia, comércio e tecnologia.”
Pela primeira vez, quatro projetos de corredores verdes chegaram à fase de “realização”, na qual construção de navios, produção de combustíveis ou infraestrutura portuária já estão em andamento. Ainda assim, muitas iniciativas permanecem na fase de viabilidade, onde altos custos de combustível e apoio político incerto seguem dificultando decisões de investimento.
Em comparação ao relatório anterior, o mix de segmentos do transporte marítimo mudou pouco. A principal exceção é um salto de atividade no setor de petroleiros, impulsionado pela adição de seis corredores de transporte de amônia. Também houve um aumento significativo de iniciativas classificadas como “a determinar”, refletindo o grande número de novos projetos que ainda não definiram detalhes centrais, como o tipo de embarcação.
O relatório ressalta que governos e empresas devem usar os próximos 12 meses para avançar projetos, em vez de esperar pela definição da IMO. Programas nacionais, como o Global Gateway da União Europeia, o H2Global e o Hydrogen Headstart da Austrália, foram citados como ferramentas imediatas para acelerar iniciativas e garantir vantagem competitiva quando a IMO finalizar suas regras.
“Temos ao menos 12 meses até que o Marco de Emissões Net-Zero da IMO seja adotado,” disse Fahnestock. “Esse tempo pode ser gasto esperando, ou usado para construir projetos que criem vantagens estratégicas e preparem os participantes para futuras recompensas globais. Quem agir agora estará em melhor posição quando a regulamentação chegar.”
Para manter o avanço, o relatório recomenda que os parceiros dos corredores priorizem esforços para reduzir o custo dos combustíveis, se preparar para futuros incentivos da IMO, envolver clientes dispostos a pagar mais por transporte limpo, e apoiar-se em políticas nacionais para acelerar a implantação inicial.
Desde que o conceito surgiu com a Declaração de Clydebank durante a COP26, em 2021, os corredores verdes vêm sendo vistos como campo de testes para novos combustíveis e tecnologias que podem definir o ritmo da descarbonização marítima. Os autores observam que o impacto vai além de infraestrutura e investimentos — grande parte das mudanças ocorre nos bastidores, em colaboração entre portos, armadores, fornecedores de combustíveis e reguladores. Com o setor aproximando-se de metas climáticas decisivas para 2030, o relatório destaca que os próximos anos serão determinantes para que os corredores verdes evoluam de pilotos para uma rede global capaz de levar o transporte marítimo à trajetória Net-Zero.
Fonte: Splash 247
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