Após sanções dos EUA, navios com petróleo russo ficam parados no mar
dez, 04, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202549
A Rússia enfrenta dificuldades para entregar suas cargas de petróleo devido às sanções impostas pelos Estados Unidos, com o volume embarcado em petroleiros que não conseguem atracar aumentando em mais de 20% desde agosto.
Embora Moscou tenha mantido os embarques acima de 3 milhões de barris por dia, o descarregamento das cargas tornou-se mais difícil. O tempo médio de viagem — do carregamento à descarga — do petróleo tipo ESPO, enviado do porto de Kozmino, na costa do Pacífico, para portos chineses, subiu para mais de 12 dias para navios carregados em novembro, acima da média de pouco mais de oito dias registrada em agosto.
Além da longa ociosidade, alguns navios passaram a adotar rotas mais extensas. Pelo menos dois petroleiros carregados com petróleo Urals estão contornando o Cabo da Boa Esperança em direção à Ásia, em vez de utilizar a rota mais curta pelo Mar Vermelho. Outros desviaram de seus destinos iniciais na costa oeste da Índia, prolongando as viagens e mantendo as cargas no mar por mais tempo.
O acúmulo de petróleo russo no mar ocorre no momento em que os fluxos de petróleo transportado por via marítima aumentaram pela primeira vez em seis semanas. Moscou embarcou 3,46 milhões de barris por dia nas quatro semanas até 30 de novembro, segundo dados de rastreamento da Bloomberg — um aumento de cerca de 210 mil barris em relação ao período anterior. Esse foi o primeiro crescimento desde que os EUA anunciaram sanções às produtoras Rosneft PJSC e Lukoil PJSC, em meados de outubro.
Apesar disso, a alta nos volumes foi compensada pela nona queda consecutiva nos preços do petróleo, mantendo o valor das exportações marítimas no nível mais baixo desde janeiro de 2023.
Separadamente, navios ligados à Rússia que operam no Mar Negro têm sido alvo de ataques da Ucrânia, que também atingiu uma das boias de carregamento do terminal de exportação do CPC, próximo a Novorossiysk. Até o momento, esses ataques não afetaram o fluxo de petróleo bruto da região.
Na média diária, os embarques na semana até 30 de novembro subiram para 3,94 milhões de barris por dia — um aumento de cerca de 690 mil barris por dia em relação à semana anterior, o maior volume em quase três meses. Um carregamento de petróleo Kebco, do Cazaquistão, também foi exportado de Novorossiysk no período.
No Pacífico, os embarques pelo porto de Kozmino voltaram a um nível mais normal, enquanto os fluxos do terminal de De Kastri, referente ao projeto Sakhalin 1, permaneceram baixos, com apenas um carregamento na semana. Já os embarques do Ártico, a partir de Murmansk, se recuperaram após várias semanas de atividades excepcionalmente reduzidas. Os envios de petróleo Urals provenientes do Mar Báltico e do Mar Negro também aumentaram.
Ao longo de quatro semanas, o valor bruto das exportações de Moscou manteve-se em US$ 1,13 bilhão por semana até 30 de novembro, com o aumento dos volumes compensando a queda contínua dos preços médios.
Os preços de exportação do petróleo Urals do Mar Báltico caíram cerca de US$ 2,80 por barril, para US$ 43,52, enquanto os preços das cargas do Mar Negro recuaram US$ 3,60, para US$ 41,12. O petróleo Pacific ESPO caiu US$ 1,90, para uma média de US$ 53,92 por barril. Na Índia, o preço médio ficou em US$ 58,66 — o menor desde março de 2023. Todos os valores são da Argus Media.
Em termos semanais, o valor das exportações atingiu cerca de US$ 1,19 bilhão nos sete dias até 30 de novembro, alta de 17% em relação ao período anterior, impulsionada pelo aumento dos volumes, mesmo com a queda dos preços.
Os petroleiros com petróleo russo também estão evitando declarar um destino final. Os embarques observados para clientes asiáticos — incluindo cargas sem destino especificado — subiram para 3,27 milhões de barris por dia nas quatro semanas até 30 de novembro, ante 3,1 milhões revisados no período anterior.
Embora os volumes destinados explicitamente à China e à Índia tenham diminuído, essa queda é compensada pelo aumento das cargas que ainda não informam destino. Muitos navios só declaram o destino final quando já estão além do Mar Arábico; outros sequer o fazem, mesmo após a descarga da carga.
Navios também permanecem mais tempo no mar: vários desviaram de seus destinos iniciais na Índia ou na Turquia, enquanto alguns aguardam para descarregar em portos chineses — incluindo um petroleiro com ESPO parado há mais de três semanas.
Atualmente, há mais petróleo em navios sem destino declarado do que em navios que sinalizam estar a caminho de China, Índia ou Turquia. A média destinada aos portos chineses caiu para 960 mil barris por dia; para a Índia, para 850 mil barris por dia. Já as cargas sem destino declarado somam 1,47 milhão de barris por dia.
No passado, quase todas essas cargas acabavam chegando à Índia ou à China. Contudo, as sanções mais rígidas dos EUA podem impedir que esse petróleo chegue aos compradores, a menos que os vendedores russos encontrem alternativas.
Os fluxos para a Turquia subiram ligeiramente para cerca de 170 mil barris por dia, enquanto embarques para a Síria permaneceram zerados.
Todos os números excluem cargas do tipo Kebco, do Cazaquistão, que não estão sujeitas às sanções europeias nem ao teto de preço e, por isso, são tratadas separadamente.
Fonte: Valor Econômico
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