Economia

Exportações da China para o Brasil avançam mais rápido

dez, 08, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202550

O comércio entre o Brasil e a China superou US$ 170 bilhões entre janeiro e novembro, com Pequim ampliando suas exportações em ritmo mais acelerado do que o crescimento das vendas brasileiras para o mercado chinês. A tendência é de que o superávit do Brasil com a China continue diminuindo.

No ano passado, a China já havia surpreendido o mundo ao exportar US$ 1 trilhão a mais do que importou. Agora, esse resultado foi atingido ainda mais cedo: em novembro, o saldo comercial chinês chegou a US$ 1,076 trilhão, mesmo diante das incertezas provocadas pela guerra comercial conduzida pelo governo Donald Trump.

No caso do Brasil, os dados divulgados pelo governo chinês mostram que o comércio bilateral totalizou US$ 170,809 bilhões entre janeiro e novembro, queda de 2,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em 2024, um dos maiores aumentos das exportações chinesas ocorreu no Brasil, com alta de 22% sobre 2023. Neste ano, entretanto, as vendas da China para o mercado brasileiro recuaram 1,6% de janeiro a novembro, enquanto as exportações brasileiras para a China caíram ainda mais, com retração de 2,6%.

Com isso, o superávit comercial brasileiro — que foi de US$ 63,3 bilhões em 2023 — caiu para US$ 44 bilhões no ano passado e deve permanecer próximo desse patamar em 2025. A tendência é de nova redução no saldo brasileiro, especialmente com o avanço de um acordo comercial entre China e Estados Unidos. O governo Trump pressiona Pequim a ampliar compras de produtos americanos, começando pela soja, um dos principais itens exportados pelo Brasil ao mercado chinês. Apenas esse acordo pode representar perda de cerca de US$ 4 bilhões para os exportadores brasileiros no próximo ano.

Confira a seguir um histórico das exportações e importações brasileiras de contêineres para a China a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações e Importações Brasileiras de Contêineres | Jan 2022 a Out 2025 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

 

Apesar das restrições enfrentadas em diferentes mercados, a China tem conseguido diversificar destinos de exportação e reorganizar cadeias de abastecimento em meio à guerra tarifária. A expansão do comércio chinês na América Latina é evidente: em 2023, o superávit da China com a região foi de apenas US$ 2 bilhões; entre janeiro e novembro de 2025, superou US$ 54 bilhões.

Com o Brasil — maior economia da região — a China ainda registra déficit (em queda), mas na América Latina como um todo as exportações chinesas cresceram 7,1% entre janeiro e novembro, enquanto as importações chinesas da região avançaram apenas 2,2%. A China exportou US$ 271,6 bilhões para os países latino-americanos no período, ante importações de US$ 220,9 bilhões.

Em novembro, o superávit comercial global chinês atingiu US$ 111,68 bilhões, o terceiro maior valor já registrado em um único mês. Nos primeiros 11 meses do ano, o superávit acumulado cresceu 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A China tem ampliado suas vendas de automóveis, painéis solares e eletrônicos de consumo não apenas para a América Latina, mas também para o Sudeste Asiático, África e Europa. Fabricantes tradicionais da Alemanha, Japão e Coreia do Sul vêm perdendo mercado para empresas chinesas, enquanto produtores na Ásia e na África relatam fechamento de fábricas diante da incapacidade de competir com os preços baixos praticados pela China.

Com a União Europeia, a China vende hoje o dobro do que compra, beneficiando-se da desvalorização de quase 30% do renminbi frente ao euro. Os preços caem na China, mas sobem na Europa e nos Estados Unidos.

Com os EUA, as trocas comerciais recuaram 17,5% neste ano. Ainda assim, a China continua exportando muito mais do que importando dos americanos: US$ 385,9 bilhões em exportações contra US$ 128,7 bilhões em importações.

Fonte: A Tribuna

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