Petrobras diz que importações de gás seguirão essenciais para abastecimento do Brasil
dez, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202550
A Petrobras avalia que as importações de gás natural continuarão sendo fundamentais para garantir o abastecimento do Brasil nos próximos anos, mesmo diante do avanço esperado da produção doméstica. A avaliação foi feita pela diretora-executiva de Transição Energética e Sustentabilidade da estatal, Angélica Laureano, em entrevista à BNamericas.
Segundo a executiva, o crescimento da produção nacional ocorre de forma desigual entre os diferentes polos produtores, o que mantém a necessidade de complementar a oferta com gás importado. “Ao mesmo tempo em que aumentamos a produção em alguns setores, houve um declínio em outros”, explicou.
Novos projetos devem fortalecer a oferta nacional
Laureano destacou que o Brasil contará com um portfólio mais robusto de gás de origem doméstica a partir da entrada em operação de grandes projetos offshore. O campo de Raia, previsto para iniciar operações em 2028, e o projeto Sergipe Águas Profundas Fase II (SEAP II), com início estimado para 2030, devem ampliar significativamente a oferta nacional.
Atualmente, o gasoduto Rota 3, que entrou em operação em 2024, tem sido essencial para compensar a redução do fornecimento externo, especialmente da Bolívia. Hoje, o país recebe entre 10 e 12 milhões de m³/dia de gás boliviano, bem abaixo dos mais de 30 milhões de m³/dia registrados no passado.
O Rota 3 adicionou cerca de 18 milhões de m³/dia ao mercado nacional. Já os projetos Raia e SEAP II devem somar mais 25 milhões de m³/dia, além do SEAP I, que prevê 9 milhões de m³/dia, embora ainda não tenha data definida para início da produção.
Interesse no gás argentino depende de viabilidade econômica
A executiva também afirmou que a Petrobras mantém interesse no gás argentino sempre que houver viabilidade econômica e segurança logística. No entanto, segundo ela, ainda não existe uma estrutura que permita fornecimento firme e contínuo.
“Hoje isso não é possível de forma constante. Não existe logística na Argentina que nos garanta esse tipo de fornecimento”, afirmou, citando o uso de GNL e o transporte via infraestrutura de gasodutos da Bolívia como alternativas em análise. Outra possibilidade em estudo envolve a rota via Uruguaiana, considerada uma solução de longo prazo.
Em novembro, a ANP autorizou a Petrobras a importar até 180 milhões de m³/dia de gás argentino por um período de dois anos. O transporte será feito pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), com pontos de entrega no estado de Mato Grosso do Sul. A primeira importação de gás não convencional da região de Vaca Muerta ocorreu recentemente, em parceria com a Pluspetrol.
Produção e demanda devem crescer até 2035
De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a produção líquida de gás natural no mercado interno deve crescer 95% na próxima década, saltando de 65 milhões de m³/dia para 127 milhões de m³/dia.
O potencial de oferta nacional na rede integrada pode aumentar cerca de 85%, com a produção doméstica respondendo por aproximadamente 70% do total. O estudo também aponta uma redução gradual do fornecimento de gás boliviano, de 13 milhões de m³/dia em 2025 para 5 milhões de m³/dia em 2035.
A infraestrutura de importação seguirá relevante, com oito terminais de GNL em operação, além de um terminal planejado em Suape (PE), reforçando a segurança do abastecimento.
Consumo industrial lidera crescimento da demanda
A EPE projeta que a demanda total de gás natural cresça, em média, 6,2% ao ano, impulsionada principalmente pelo setor industrial, responsável por cerca de 65% da demanda não termoelétrica.
Também estão previstos aumentos no consumo dos segmentos comercial (5,3% ao ano), residencial (4,1%) e transportes (3,6%). O mercado a jusante, que inclui refinarias e fábricas de fertilizantes, deve avançar 5,36% ao ano, com forte expansão nos primeiros anos.
Já a demanda por energia térmica reflete a ampliação da matriz energética brasileira, com a contratação de novas usinas por meio de leilões de reserva de capacidade (LRCAPs), reforçando o papel estratégico do gás natural no país.
Fonte: O Petróleo
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