Comissão Europeia defende acordo com Mercosul, mas incerteza é grande
dez, 15, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202551
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), insistiu que está empenhada em assinar o acordo comercial com o Mercosul no sábado, em Foz do Iguaçu, mas reconheceu, na prática, que o cenário segue incerto, condicionando o movimento final a decisões a serem tomadas pelos países-membros nas próximas horas ou dias.
No fim de semana, o governo francês anunciou, em comunicado, que a França havia solicitado à UE o adiamento dos prazos previstos para esta semana para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, considerando que as condições “não estavam reunidas para qualquer votação” dos Estados europeus. “A França solicita que os prazos de dezembro sejam adiados para continuar o trabalho e obter medidas legítimas de proteção para a nossa agricultura europeia”, explicou o governo francês.
Nesta segunda-feira, o tradicional briefing da Comissão Europeia para jornalistas, em Bruxelas, teve como um dos temas principais as dificuldades políticas persistentes para a assinatura do acordo birregional. Isso ocorre em um contexto no qual estão previstos grandes protestos de agricultores europeus, mesmo quando o Parlamento Europeu deve votar uma salvaguarda mais dura para protegê-los da concorrência vinda do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Intensas reuniões de ministros dos 27 Estados-membros e conversas entre chefes de Estado europeus prosseguem. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve se deslocar rapidamente a Berlim. Os europeus se encontram em uma situação geopoliticamente fragilizada, pressionados pelas ameaças militares da Rússia e com menor apoio dos Estados Unidos. Ainda assim, países como a França, com apoio de outros membros, continuam a rejeitar o acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
No governo brasileiro, o sentimento é de que a UE pode novamente “roer a corda” e não assinar o acordo no sábado, o que tornaria a situação ainda mais frustrante. Para Brasília, o que o Mercosul está oferecendo aos europeus, além de amplo acesso ao mercado sul-americano, é uma aliança estratégica em tempos de incerteza global. Avalia-se que adiar a assinatura para o próximo ano não resolveria o impasse, pois os opositores continuariam a levantar novos obstáculos.
Questionado em Bruxelas sobre a possibilidade de a presidente da Comissão Europeia remarcar sua viagem ao Brasil para 2026, o porta-voz Olof Gill respondeu que, em nome da Comissão Europeia e da União Europeia, a expectativa segue sendo a de assinar o acordo UE–Mercosul até o final de 2025, desde que sejam concluídos os procedimentos do Conselho.
Segundo o porta-voz, a assinatura do acordo neste momento é considerada de importância crucial do ponto de vista econômico, diplomático e geopolítico, além de essencial para a credibilidade internacional da União Europeia. Ele destacou que o acordo representa economias significativas para as empresas europeias, com redução de tarifas e ampliação do acesso ao mercado do Mercosul, beneficiando especialmente pequenas e médias empresas.
O porta-voz também ressaltou que a relevância do acordo vai além do comércio, ao reunir dois dos maiores blocos econômicos do mundo em um momento de crescente incerteza geopolítica. Segundo ele, a parceria permitiria cooperação em temas como clima, segurança, economia e fortalecimento das regras globais do comércio internacional.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de a França recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para bloquear o acordo, o porta-voz afirmou que a Comissão fez tudo o que estava ao seu alcance para apresentar um acordo robusto, cabendo agora aos Estados-membros e ao Conselho decidir os próximos passos.
Por fim, a Comissão Europeia reiterou que acredita no comércio global baseado em regras, na confiança mútua e no respeito entre parceiros, defendendo que acordos comerciais continuam sendo instrumentos fundamentais para crescimento econômico, competitividade, geração de empregos e estabilidade em um período global turbulento.
Fonte: Valor Econômico
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