Maior produtor de carne bovina do mundo, Brasil ganha espaço no mercado premium
dez, 26, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202553
Gosto não retrocede. Essa máxima ajuda a explicar o momento de expansão do mercado de carnes premium no Brasil e no exterior. Maior produtor mundial de carne bovina, o Brasil vem se destacando não apenas pelo volume, afirmam especialistas. Em 2025, o segmento de carnes gourmet operou em um ambiente mais favorável, inclusive no mercado internacional, o que sustentou o crescimento das exportações. Olhando para 2026, o principal desafio será manter a oferta de gado após o recente aumento no abate de fêmeas.
Menor oferta de gado em 2026 tende a pressionar os preços da carne
Ainda assim, a perspectiva segue positiva, em parte porque os Estados Unidos — outro importante fornecedor de carne bovina de alta qualidade — enfrentam déficit no rebanho, abrindo espaço para o produto brasileiro.
“Os consumidores de carne de qualidade ficaram desabastecidos, e o Brasil é o único país do mundo capaz de atender à demanda não apenas em qualidade, mas também em volume”, disse Maychel Borges, gerente do Programa Carne Angus Certificada no Brasil. Cerca de 550 mil animais passaram pelo programa neste ano, alta de 18% a 20% em relação a 2024. Aproximadamente 70% eram fêmeas.
China, México, Chile, Arábia Saudita, Líbano e Israel estão entre os principais compradores. Segundo Borges, a tendência deve se intensificar no próximo ano, já que a recuperação do rebanho norte-americano é esperada apenas a partir de 2027.
A meta do Programa Carne Angus Certificada para 2026 é, ao menos, igualar os números de abate de 2025. O maior obstáculo será a oferta de animais. O segmento registrou recentemente queda nas vendas de sêmen. Com o preço da arroba pressionado, produtores reduziram investimentos em tecnologia, enquanto mais vacas foram destinadas ao abate. “Para 2026, projetamos menos animais disponíveis, o que limita um pouco nossas metas”, afirmou Borges.
O ano também foi de crescimento para o Programa Carne Hereford Certificada. O gerente Felipe Azambuja atribui o desempenho ao reforço da comunicação com o consumidor nos últimos anos.
Segundo ele, o prêmio de preço em relação à carne convencional varia de 10% a 50%, dependendo do corte. A vantagem, acrescenta, é que o consumidor “não terá surpresas”. “Ele encontra marmoreio, suculência e maciez graças a todo o processo de certificação”, disse. Para os pecuaristas, os bônus podem chegar a até 10%.
As exportações de carne Hereford certificada alcançaram recorde de 263 toneladas, alta de 54% em relação ao ano passado, com destinos como Maldivas, Portugal, México e Itália. De acordo com Azambuja, as tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países, incluindo o Brasil, favoreceram o produto brasileiro. “Há países que importavam carne dos EUA e, diante do aumento das tarifas, reduziram suas compras”, afirmou. Novas aberturas de mercado são esperadas para 2026.
Além da convicção de que consumidores que já experimentaram produtos gourmet continuarão a preferi-los, outro fator sustenta o otimismo para 2026: a Copa do Mundo de Futebol, entre 11 de junho e 19 de julho. O evento pode estimular os churrascos. “A tendência é o mercado consumir mais carne premium”, disse Azambuja, observando que isso depende do avanço da seleção brasileira nas fases finais do torneio.
As carnes premium se diferenciam principalmente pela genética selecionada, manejo mais cuidadoso e critérios rigorosos de abate, resultando em maior maciez, suculência e marmoreio.
Um dos pioneiros do mercado de carnes premium no Brasil, István Wessel, da Carnes Wessel, observa uma mudança significativa desde os anos 1970, quando entrou no segmento. Naquela época, os cortes de churrasco eram basicamente picanha, maminha e miolo do alcatra. Hoje, os cortes do dianteiro se tornaram o “novo churrasco”.
“Esses cortes passaram a ser viáveis para a grelha porque o gado brasileiro evoluiu muito nos últimos 40 anos”, afirmou. Práticas que beneficiaram essa parte antes subvalorizada do animal incluem abate mais precoce, manejo mais profissional e alimentação equilibrada. Como resultado, cortes que antes eram mais duros e destinados a cozidos hoje podem ir à grelha.
Entre os exemplos estão flat iron (do ombro), denver (do acém) e costela do dianteiro. Segundo Wessel, os consumidores já estão atentos a essa mudança no perfil da carne e passaram a demandar cortes do dianteiro. Alguns desses produtos também podem ser mais acessíveis. Em dezembro, as vendas da empresa cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo mês de 2024.
Profissionais que atuam na linha de frente confirmam que os avanços genéticos agregaram sabor a cortes antes negligenciados. “Cortes como denver steak, flat iron steak e short ribs ganharam destaque com a evolução técnica e genética dos rebanhos”, disse Chico Mancuso, chef parrillero do restaurante Rincon Escondido.
Henrique Freitas, consultor de carnes do Corrientes 348 e do Assador, afirma que os últimos dois anos desestimularam os pecuaristas, afetando a oferta. Desde 2010, porém, o consumo segue uma trajetória de alta. “Ao longo desses 15 anos de maior exposição à carne de qualidade, o consumidor aprendeu a reconhecer o produto. E, como diz o ditado, gosto não retrocede”, concluiu.
Fonte: Valor Internacional
-
Carnes
set, 13, 2024
0
Exportações totais de carne bovina em agosto superaram pela primeira vez as 300 mil toneladas
-
Navegação
nov, 19, 2019
0
Maersk vai encerrar serviço no porto argentino de Buenos Aires
-
dez, 05, 2022
0
Bolsa de Rosário: seca atinge principal cinturão agrícola da argentina; produção de soja cai
-
Grãos
jul, 18, 2023
0
Soja bate recorde em junho no Porto do Itaqui