UE convoca ministros da Agricultura para garantir apoio ao acordo com o Mercosul
jan, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202602
A União Europeia convocou ministros da Agricultura do bloco para negociações de última hora nesta quarta-feira, com o objetivo de convencer a Itália e outros países-membros ainda reticentes a aderirem ao controverso acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco sul-americano.
No mês passado, Itália e França frustraram as expectativas de um acordo em dezembro, ao afirmarem que não estavam prontas para apoiá-lo enquanto não fossem resolvidos os temores dos agricultores sobre um possível influxo de commodities mais baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Os 27 ministros da Agricultura da UE foram convidados para a reunião na Comissão Europeia, informou na terça-feira Chipre, país que detém a presidência rotativa do bloco. Ainda não está claro, porém, quantos participarão do encontro.
É esperado que os comissários europeus de Agricultura, Comércio e Saúde apresentem garantias sobre o financiamento futuro aos agricultores no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) da UE, incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros (US$ 7,4 bilhões) previsto no próximo orçamento europeu.
A proposta da Comissão de fundir os fundos de coesão regional com os recursos da PAC no próximo orçamento de sete anos gerou preocupação entre países com forte setor agrícola.
Em carta enviada na terça-feira ao presidente de Chipre e ao presidente do Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs acelerar 45 bilhões de euros em apoio aos agricultores e reiterou que o orçamento de 2028 a 2034 garantirá 293,7 bilhões de euros ao setor.
A Comissão também deverá revisar os controles de importação, incluindo os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas, segundo dois diplomatas da UE.
“É um momento crítico para discutir as demandas dos agricultores”, afirmou um dos diplomatas.
Em busca de apoio dos países da UE
O Executivo europeu, com o apoio de países favoráveis ao acordo UE-Mercosul, como Alemanha e Espanha, busca reunir a maioria qualificada de 15 países-membros que representem 65% da população da UE, necessária para autorizar a assinatura do acordo — possivelmente já em 12 de janeiro.
Segundo esses países, o acordo, negociado há 25 anos e que seria o maior da UE em termos de redução tarifária, é considerado vital para impulsionar exportações afetadas por impostos de importação dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China, ao garantir acesso a minerais críticos.
Com Polônia e Hungria contrárias ao acordo e a França mantendo postura crítica, a posição da Itália será determinante para a assinatura. Uma votação é esperada para sexta-feira, 9 de janeiro.
A Comissão manteve discussões com os países-membros nas últimas duas semanas e o bloco está no caminho para assinar o acordo em breve, afirmou um porta-voz do Executivo europeu.
A Itália não é contrária ao acordo, disseram duas fontes italianas à Reuters no dia 6, mas busca garantias — especialmente sobre reciprocidade — de que os produtos agrícolas importados cumpram os padrões sanitários e ambientais da UE. Esses pontos devem ser discutidos na quarta-feira.
Um segundo diplomata da UE afirmou que a Itália ainda não está totalmente alinhada.
Por Philip Blenkinsop, Julia Payne e Giselda Vagnoni
Fonte: Reuters
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