Participação da Ásia nas importações do Brasil vão além da China
fev, 03, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202606
A participação crescente da Ásia nas importações brasileiras tem sido impulsionada principalmente pela China, mas outros países da região, ainda que partindo de uma base menor, também ampliaram seus embarques ao Brasil em ritmo acima da média.
A China também vem estimulando importações brasileiras de outras nações, especialmente do Sudeste Asiático, segundo Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador da FGV Ibre.
“Empresas chinesas estão começando a criar estruturas para transferir exportações industriais para países com custos de mão de obra mais baixos, como Laos, Vietnã e Camboja, inicialmente terceirizando bens industriais de menor valor agregado. A China deixa de ganhar principalmente com a venda do produto e passa a lucrar com royalties, participações e dividendos. É basicamente o que os EUA fizeram com a China nos anos 2000”, afirmou.
Confira a seguir um comparativo mensal das importações de mercadorias em contêineres desde janeiro de 2022. Os dados são provenientes da plataforma DataLiner, da Datamar.
Importações em Contêineres | Brasil x China | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
As plataformas de petróleo importadas no ano passado são um exemplo das cadeias produtivas integradas que hoje existem na Ásia, disse Ribeiro.
O Brasil importou US$ 5,4 bilhões em plataformas de petróleo no ano passado, sendo US$ 2,7 bilhões da China e US$ 2,5 bilhões de Singapura. Isso ajudou a elevar a participação asiática nas importações brasileiras em 2025. Em 2024, as compras de plataformas totalizaram US$ 534 milhões. Segundo a Petrobras, a plataforma de Singapura teve o casco construído em estaleiros na China e na Coreia do Sul e incorporou módulos fabricados no Brasil, China e Singapura.
Johanna Guevara Méndez, consultora de comércio exterior, destacou o desempenho da Índia, observando que o país vem ganhando espaço tanto nas exportações quanto nas importações brasileiras. Enquanto as compras brasileiras de produtos indianos cresceram 84,1% entre 2019 e 2025, as exportações do Brasil para a Índia avançaram quase 150%, de US$ 2,8 bilhões para US$ 6,9 bilhões.
“O avanço da Índia não me surpreende. O país tem feito um trabalho focado e estratégico para expandir os fluxos comerciais”, disse. A Índia tem forte atuação em polímeros, além de insumos hospitalares e produtos farmacêuticos.
Com a reorganização dos fluxos de exportação e importação do Brasil em 2025, a Índia também passou a fornecer parte do diesel importado pelo país, afirmou André Valério, economista do Banco Inter.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que óleos combustíveis foram o segundo principal produto indiano importado pelo Brasil em 2025, somando US$ 1,1 bilhão, dos quais US$ 900 milhões em diesel. Em 2022, a Índia era o segundo maior fornecedor de diesel ao Brasil, atrás dos Estados Unidos. Os americanos perderam essa posição para a Rússia em 2023, logo após a Europa impor embargo aos combustíveis russos em decorrência da guerra na Ucrânia.
No ano passado, a Rússia permaneceu como a maior fornecedora externa de diesel ao Brasil, embora as importações tenham caído 20% em relação a 2024. Os embarques de diesel dos EUA aumentaram 126%, enquanto as importações da Índia saltaram 254%. A Índia ficou em terceiro lugar entre os fornecedores em 2025, atrás dos EUA. O principal produto importado da Índia naquele ano foi o grupo de compostos organo-inorgânicos, compostos heterocíclicos e ácidos nucleicos, entre outros. Medicamentos, incluindo produtos veterinários, ficaram em terceiro lugar.
Os dados também mostram aumento das importações brasileiras de países asiáticos com maioria muçulmana ou populações islâmicas significativas. Além da Indonésia — cujos embarques ao Brasil cresceram 82,2% entre 2019 e 2025 — Cazaquistão, Paquistão, Turcomenistão e Uzbequistão também registraram avanços relevantes. Juntas, as importações brasileiras desses cinco países quase dobraram, passando de US$ 1,49 bilhão em 2019 para US$ 2,97 bilhões no ano passado.
Fonte: Valor International
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