Importações caem 9,8% em janeiro com desaceleração da economia brasileira
fev, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202606
A balança comercial do Brasil iniciou 2026 com superávit de US$ 4,3 bilhões, o segundo melhor resultado para um mês de janeiro na série histórica, atrás apenas do pico registrado em 2024. Ainda assim, tanto as exportações quanto, de forma mais acentuada, as importações recuaram na comparação com janeiro de 2025.
Autoridades do governo e analistas afirmaram que a forte queda das importações reflete a desaceleração econômica esperada, embora a magnitude observada em janeiro dificilmente deva se repetir ao longo de todo o ano.
Ao longo do ano de 2025, o Brasil registrou a entrada de 3.477.208 TEUs, volume 4.6% maior do que o registrado no ano anterior, de acordo com a Datamar. Veja abaixo a comparação mensal das importações de cargas em contêiner, segundo dados do DataLiner.
Importação de Contêineres | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
As importações caíram 9,8% em janeiro, enquanto as exportações recuaram 1%. Com isso, mesmo com o superávit maior — ante US$ 2,3 bilhões em janeiro de 2025 —, o volume total de comércio diminuiu. O intercâmbio comercial somou US$ 46 bilhões, queda de 5,1% em relação a um ano antes, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior da Secex, observou que o volume exportado em janeiro foi semelhante ao de janeiro de 2025, ano recorde para os embarques. Do lado das importações, afirmou que é esperada uma desaceleração em 2026 devido ao “provável crescimento mais fraco da demanda interna e da economia como um todo”.
Brandão disse que quedas nas importações devem se repetir ao longo do ano, embora não necessariamente com a mesma intensidade registrada em janeiro.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirmou que a profundidade da queda das importações surpreendeu, impulsionada por um recuo de 15% nos bens intermediários. Essa categoria responde por cerca de 60% do total das importações brasileiras. As importações de combustíveis também caíram 21,5%, enquanto os bens de capital desaceleraram, com alta modesta de 1,1%, segundo a Secex.
O economista Lucas Barbosa, da AZ Quest, disse que os dados são compatíveis com uma desaceleração da demanda doméstica. “As taxas de juros elevadas têm pesado sobre os investimentos, e os dados de produção industrial têm sido fracos, especialmente nos setores mais cíclicos”, afirmou.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial caiu 1,2% em dezembro em relação a novembro. Entre setembro e dezembro de 2025, a produção recuou 1,9%.
Uma exceção relevante, segundo Castro, foram os bens de consumo, cujo valor importado cresceu 11,9% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2025.
Carros chineses
Dados da Secex mostram que esse aumento se deveu em grande parte às importações de automóveis chineses, que somaram US$ 374,9 milhões em janeiro, mais de dez vezes os US$ 31,7 milhões registrados em janeiro de 2025. Excluindo os veículos chineses, as importações brasileiras de bens de consumo avançaram apenas 1,5%.
Os automóveis de passeio se destacaram entre as importações de janeiro, totalizando US$ 564 milhões, mais que o dobro dos US$ 274 milhões registrados um ano antes. Cerca de 65% desses veículos vieram da China.
BYD promete aprofundar a fabricação de veículos no Brasil
Barbosa, da AZ Quest, afirmou que a balança comercial segue resiliente e espera mais um ano forte para o comércio exterior brasileiro, projetando um superávit de US$ 75 bilhões em 2026, ante US$ 68,3 bilhões em 2025.
“As exportações brasileiras continuam demonstrando força não apenas em volume, mas também em preços”, disse. As exportações de carne bovina permanecem robustas, com a receita avançando 42,5% em janeiro em relação a um ano antes. Os preços subiram 10,8%, potencializando um aumento de 28,6% no volume.
As exportações de ouro também se destacaram, alcançando US$ 820 milhões em janeiro, ante US$ 404 milhões um ano antes. O produto foi o nono mais exportado pelo Brasil no mês, com preços em alta de 75,8% e volume crescendo 15,4%.
As exportações de soja registraram avanço expressivo de 91,7%, sustentado por alta de 9,2% nos preços e um salto de 75,5% no volume.
Nem todas as commodities se beneficiaram de preços favoráveis. Petróleo e minério de ferro — os dois principais produtos de exportação do país — recuaram 7,8% e 8,6%, respectivamente. O petróleo caiu em preço, enquanto o minério de ferro registrou queda tanto de preço quanto de volume.
O comércio com parceiros-chave refletiu mudanças recentes no cenário global. O economista André Valério, do Inter, observou que janeiro manteve a tendência verificada desde a implementação de tarifas mais elevadas pelos Estados Unidos, com queda de 25,5% nas exportações para o país.
Ainda assim, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos foi de apenas US$ 670 milhões em janeiro, ajudado por uma redução de 10,9% nas importações de produtos americanos, movimento não observado em leituras anteriores.
As exportações para a China cresceram 17,4%, refletindo ganho de participação de mercado, especialmente no agronegócio brasileiro, que tem se beneficiado do espaço deixado por produtores dos Estados Unidos em meio às tensões entre os dois países.
“Mesmo após o acordo EUA–China, no qual a China se comprometeu a retomar as compras de soja dos Estados Unidos, não houve redução do apetite chinês pela soja brasileira. Isso sugere que os ganhos de participação do Brasil podem se mostrar duradouros”, afirmou Valério.
Fonte: Valor International
-
Portos e Terminais
abr, 19, 2024
0
Autoridade Portuária de Santos recebe 3ª audiência pública do túnel Santos-Guarujá
-
Carnes
mar, 05, 2026
0
Exportações de carne suína do Paraguai crescem 24% até fevereiro. Embarques de carne bovina caem 26%
-
Navegação
nov, 27, 2025
0
Corredores marítimos verdes avançam com China, Índia e Brasil
-
Minérios
jan, 27, 2020
0
Alerta ANM: atenção às barragens deve ser estendida até a próxima sexta-feira (31)