Tecon Santos está no radar da recém-criada United Ports LLC
fev, 11, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202607
Maior terminal de contêineres da América Latina, o Tecon Santos, operado pela Santos Brasil no Porto de Santos, está entre os ativos que poderão ser beneficiados pela recém-criada joint venture United Ports LLC. A empresa resulta da parceria entre a armadora CMA CGM, controladora da Santos Brasil, e a gestora global de infraestrutura Stonepeak. A operação foi comunicada ao mercado na semana passada.
A Stonepeak investirá cerca de R$ 12 bilhões para adquirir uma participação minoritária de 25% na joint venture, que reúne dez terminais operados pela CMA CGM em seis países: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Índia, Taiwan e Vietnã.
Segundo o CEO do Grupo CMA CGM, Rodolphe Saadé, a parceria com um investidor especializado em infraestrutura amplia a capacidade de investimento nos terminais portuários. Já o diretor-executivo da Stonepeak, James Wyper, destacou que terminais de contêineres são ativos estratégicos e difíceis de replicar, e que a joint venture representa uma oportunidade diferenciada de investir em um portfólio de alta qualidade.
Em comunicado, a Santos Brasil informou que não é parte direta da operação, que não há mudança em seu controle acionário e que não existe impacto imediato em operações, governança ou contratos. Eventuais desdobramentos dependerão de aprovações regulatórias, e a companhia manterá o mercado informado.
Para o consultor portuário Ivam Jardim, o movimento pode fortalecer a capacidade de investimento no Tecon Santos. Segundo ele, a entrada da Stonepeak garante capital de longo prazo à CMA CGM, que realizou aquisições relevantes recentemente. Isso pode acelerar investimentos previstos e viabilizar novos projetos de expansão, tornando o terminal mais competitivo.
O consultor Luis Claudio Montenegro avalia que a joint venture reflete um movimento estrutural no setor portuário global, com armadores ampliando a integração vertical e combinando operação portuária com capital financeiro de longo prazo. No Brasil, afirma, o impacto é relevante por envolver o Porto de Santos. Em condições adequadas, o arranjo tende a impulsionar investimentos em capacidade, tecnologia e produtividade.
Montenegro ressalta que o principal risco não está na integração vertical, mas em possíveis barreiras regulatórias que possam travar investimentos e reduzir a competição, em um momento em que o país precisa ampliar escala e eficiência no comércio exterior.
Fonte: A Tribuna
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