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Exportadores de frango redirecionam embarques após fechamento do Estreito de Hormuz

mar, 05, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202610

O fechamento do Estreito de Hormuz devido à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã levou exportadores brasileiros de frango a buscar rotas marítimas e terrestres alternativas para entregar seus produtos, afirmou à reportagem Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A medida é considerada essencial para reduzir possíveis perdas causadas por tempos de transporte mais longos e garantir o abastecimento de consumidores em mais de dez países da região que importam carne de frango brasileira. Mais da metade do frango importado pela Arábia Saudita vem do Brasil. No caso dos Emirados Árabes Unidos, essa participação chega a 74%, segundo Santin. Do ponto de vista brasileiro, cerca de 30% das exportações de frango são destinadas ao Oriente Médio.

Confira a seguir um compilado de dados históricos das exportações mensais de carne de frango, embarcadas em contêineres, do Brasil à Arábia Saudita, entre janeiro 2023 e janeiro 2016:

Exportações de Frango para Arábia Saudita | Brasil | Jan 2022 – Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Uma das opções que companhias de navegação (armadores) começaram recentemente a utilizar para chegar à Arábia Saudita — o terceiro maior importador de frango brasileiro — e à Jordânia é o Estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e Djibuti, na África, explicou Santin. O estreito dá acesso ao Mar Vermelho e à costa leste da Arábia Saudita.

Outra alternativa, desta vez para alcançar Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, é o porto de Salalah, no sul do vizinho Omã. Até agora, o acesso marítimo era feito pelo Estreito de Hormuz, que está fechado. Segundo o presidente da ABPA, os embarques que chegam a Salalah podem ser transportados por terra até Dubai.

Uma terceira rota alternativa surgiu recentemente, envolvendo um operador capaz de entregar cargas no porto de Khorfakkan, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, antes de alcançar o estreito.

“Há dois dias, nem sequer tínhamos acesso ao Mar Vermelho, e agora temos”, disse Santin. “A situação melhorou.”

Com apenas alguns dias de conflito até agora, não houve movimento para reduzir o abate de aves ou a colocação de matrizes na avicultura brasileira — responsável pela produção de pintinhos —, segundo o presidente da ABPA.

Também não há, “neste momento”, qualquer sinal de queda nos preços do frango no mercado brasileiro, já que o volume exportado para a região é relativamente pequeno em comparação com o consumo doméstico, afirmou Santin.

Enquanto o consumo interno de carne de frango — cerca de 900 mil toneladas por mês, ou aproximadamente 30 mil por dia — representa 65% da produção total do Brasil, os 12 países do Oriente Médio atendidos pelo país (excluindo o Irã) importam entre 100 mil e 120 mil toneladas mensais, ou cerca de 15% da produção nacional, segundo Santin. Em base diária, aproximadamente 5 mil toneladas são enviadas para a região.

Portanto, o volume de frango atualmente destinado ao Oriente Médio nesta semana de conflito não seria suficiente para reduzir os preços no Brasil, mesmo que fosse totalmente redirecionado ao mercado interno — o que não está ocorrendo, já que as empresas continuam tentando encontrar formas de entregar as cargas aos destinos originalmente previstos, disse.

“Se essa situação se prolongar por muito tempo, aí poderia haver [queda de preços]”, afirmou, referindo-se ao Brasil.

Para viabilizar o uso de rotas marítimas e terrestres alternativas, a ABPA solicitou ao Ministério da Agricultura do Brasil a modificação de documentos emitidos para embarques destinados a países do Oriente Médio, permitindo que as cargas sejam entregues em destinos diferentes daqueles originalmente especificados na documentação de exportação.

Segundo Santin, o ministério respondeu que “facilitará” o que for possível. O Ministério da Agricultura ainda não divulgou documento oficial sobre o tema.

Fonte: Valor International

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