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Plano quinquenal da China reforça foco em minerais críticos, segurança alimentar e transição energética

mar, 05, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202610

A China apresentou seu 15º plano quinquenal durante a sessão anual do Parlamento, documento que estabelece as principais diretrizes econômicas e industriais do país para os próximos anos. O plano destaca setores estratégicos que devem receber apoio político e investimentos, com implicações relevantes para os mercados globais de commodities.

Entre as prioridades estão minerais críticos, metais industriais, segurança energética e produção agrícola, além de medidas voltadas à redução da intensidade de carbono da economia.

Metais e minerais críticos

Pela primeira vez, o plano destaca explicitamente a vantagem competitiva da China na produção de terras raras, recursos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética. O governo afirmou que pretende manter a liderança global no setor e modernizar a cadeia produtiva.

Pequim também indicou que pretende aperfeiçoar seu sistema de controle de exportações, mecanismo que nos últimos anos contribuiu para restrições no fornecimento global de minerais críticos.

A expansão da infraestrutura energética e da rede elétrica, impulsionada pela transição para energias limpas, deve sustentar a demanda por cobre e alumínio. Ao mesmo tempo, o governo sinalizou que buscará ampliar a exploração e mineração domésticas de recursos como minério de ferro e cobre, dos quais o país ainda depende fortemente de importações.

Capacidade industrial e transição climática

O plano reafirma o compromisso de enfrentar o problema de excesso de capacidade industrial em setores intensivos em recursos, como siderurgia, petroquímica e fundição de cobre. No entanto, o governo não definiu metas concretas de redução de produção.

No campo climático, a China pretende reduzir a intensidade de carbono da economia em 17% nos próximos cinco anos. O indicador mede a quantidade de emissões por unidade de atividade econômica e, embora sinalize avanços em eficiência energética, não impede que as emissões totais continuem aumentando com o crescimento econômico.

O documento também prevê que o consumo de carvão atinja seu pico ao longo do período, mas sem mencionar explicitamente uma redução gradual posterior. Em paralelo, Pequim estabeleceu a meta de que 25% da energia consumida no país venha de fontes não fósseis até 2030.

Petróleo, gás e segurança energética

Na área de energia, o plano prevê manter a produção doméstica de petróleo em cerca de 200 milhões de toneladas por ano, além de ampliar a produção de gás natural e expandir os estoques estratégicos de petróleo.

O governo também indicou que avançará nos estudos preliminares do gasoduto Power of Siberia 2, projeto que ligaria a Rússia à China, embora negociações sobre preços tenham atrasado sua implementação.

Outra diretriz mantida é a expansão da indústria de carvão para líquidos, processo que transforma carvão em combustíveis e petroquímicos.

Agricultura e segurança alimentar

Na agricultura, a China pretende elevar a produção anual de grãos para 725 milhões de toneladas até 2030, com base no aumento de produtividade e no uso de novas tecnologias, já que a expansão de áreas agrícolas é limitada.

O plano também reafirma a estratégia de garantir suprimentos externos para alimentos que o país continua importando em grande escala.

Além disso, o governo pretende regular o excesso de capacidade na indústria suína e fortalecer os setores de laticínios e carne bovina, que recentemente receberam medidas de proteção tarifária.

Fonte: Reuters

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