DataLiner: Exportações brasileiras via contêineres caem 9,8% em janeiro
mar, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202611
Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar sobre a movimentação brasileira de contêineres apontam que, em janeiro, o Brasil exportou 233.434 TEUs, volume 9,8% inferior ao registrado no primeiro mês de 2025.
A China continua sendo o principal parceiro comercial do Brasil nas exportações via contêineres. Em janeiro, o volume embarcado para o país asiático foi 3,8% superior ao de janeiro de 2025. Já os embarques para os Estados Unidos, segundo maior destino das exportações brasileiras nesse tipo de transporte, registraram queda de 33,6% no comparativo anual. Para o México, a retração foi mais moderada, de 2,5%.
A forte queda nas exportações para os Estados Unidos ocorre em um momento de crescente incerteza na política comercial americana. Em fevereiro de 2026, o governo do presidente Donald Trump anunciou uma nova tarifa global de importação de 10%, com previsão de elevação para 15%. A medida foi adotada após a Suprema Corte dos Estados Unidos, em decisão divulgada em 20 de fevereiro, derrubar o regime tarifário anterior baseado em poderes emergenciais.
Embora os dados de janeiro ainda reflitam principalmente o ambiente comercial anterior a essa decisão judicial e às novas tarifas, a mudança na política comercial americana tende a aumentar a volatilidade nas relações comerciais ao longo de 2026, especialmente para países exportadores como o Brasil.
Entre as mercadorias exportadas via contêineres, as carnes lideraram a pauta em janeiro, com crescimento de 6,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Em seguida aparecem a madeira, cujos embarques registraram queda de 12,7%, e o algodão, que apresentou retração de 22,8% no comparativo anual.
Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de contêineres a partir de janeiro de 2023. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Exportações Brasileiras via Contêineres | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Importações têm queda menor
Nas importações, a retração foi mais moderada. Em janeiro, o Brasil recebeu 300.033 TEUs, volume 1,7% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.
A China também se manteve como principal origem das importações brasileiras via contêineres. O país asiático enviou ao Brasil um volume 1,6% maior do que em janeiro do ano anterior. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com queda de 27,3%, enquanto a Índia registrou crescimento de 1,6%.
Entre as principais mercadorias importadas pelo Brasil no primeiro mês do ano, o destaque foi o plástico, cujo volume cresceu 6,4% em relação a janeiro de 2025. Em seguida aparecem reatores, caldeiras e máquinas, com retração de 10%, e veículos e autopartes, que registraram aumento de 2,6%.
Abaixo, um histórico das importações brasileiras de contêineres a partir de janeiro de 2023. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Importações Brasileiras via Contêineres | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Plate
Nos países da região do Plate, o desempenho foi positivo nas exportações. No caso da Argentina, os embarques cresceram 31,4% em janeiro na comparação anual, enquanto as importações recuaram 8,5%.
No Uruguai, as exportações via contêineres registraram aumento de 22% no comparativo com janeiro de 2025, enquanto as importações cresceram 19,8%.
Incertezas no comércio global
Apesar de alguns sinais positivos em determinados mercados, o cenário global segue marcado por incertezas. Mudanças nas políticas comerciais, tensões geopolíticas e oscilações nos custos logísticos continuam influenciando as cadeias de suprimentos internacionais.
Além das disputas tarifárias, o comércio marítimo internacional passou a enfrentar novos riscos geopolíticos em 2026. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Golfo Pérsico elevou os prêmios de seguro marítimo e gerou interrupções operacionais em rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. O aumento dos custos de seguro, frete e possíveis desvios de rotas pode pressionar o comércio global ao longo do ano.
Segundo análises da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), choques geopolíticos e interrupções em rotas marítimas estratégicas podem provocar aumentos significativos nos custos de transporte e impactar o fluxo global de mercadorias. Ao mesmo tempo, relatórios da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o crescimento do comércio internacional deve permanecer moderado em 2026, refletindo um ambiente econômico ainda instável.
Nesse contexto, o desempenho do comércio brasileiro via contêineres dependerá não apenas da demanda externa, mas também da evolução das tensões geopolíticas, das políticas comerciais das principais economias e das condições logísticas nas rotas marítimas globais.
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