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Exportações chilenas de vinho engarrafado caem 12,5% em janeiro com redução das compras em mercados-chave

mar, 10, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202611

As exportações de vinho engarrafado do Chile começaram 2026 com uma queda significativa. Em janeiro, os embarques recuaram 12,5% em volume e 9,3% em valor em comparação com o mesmo mês do ano passado. O país exportou 3,7 milhões de caixas, gerando US$ 105,4 milhões em receita. Apesar da queda geral, o preço médio por caixa subiu 3,6%, passando de US$ 27,4 em janeiro de 2025 para US$ 28,4 neste ano.

Diversos mercados importantes para o vinho chileno engarrafado registraram reduções relevantes nas importações durante janeiro. As exportações para o Brasil, que vinha sendo um mercado-chave de crescimento para o vinho chileno, caíram acentuadamente. Os embarques para o Reino Unido, Estados Unidos, China e Coreia do Sul também diminuíram. A queda na China foi particularmente pronunciada, dando continuidade a uma tendência de redução da demanda que já dura vários meses.

Alguns mercados, no entanto, apresentaram resultados positivos. O Japão liderou o crescimento no mês, enquanto o Canadá manteve sua trajetória de alta, provavelmente influenciado pelas tensões comerciais em curso com produtores de vinho dos Estados Unidos. As exportações para Holanda, Irlanda e Colômbia também aumentaram, mas não foram suficientes para compensar as perdas registradas em outros mercados.

Considerando os últimos doze meses, o Chile exportou 45,5 milhões de caixas de vinho engarrafado para o mundo, gerando US$ 1,251 bilhão em receitas. Isso representa uma queda de 3,2% em volume e de 4,2% em valor em comparação com o período de doze meses anterior. O preço médio por caixa nesse intervalo caiu levemente 1,1%, ficando em US$ 27,5.

O Brasil continua sendo o principal mercado do Chile no último ano, respondendo por 18% do volume total e 16% do valor das exportações de vinho engarrafado. Estados Unidos, Japão e Reino Unido aparecem em seguida, com participações semelhantes, em torno de 9%. Entre esses principais destinos, apenas o Canadá registrou forte crescimento — cerca de 20% — resultado atribuído às disputas comerciais com os Estados Unidos, que acabaram beneficiando os exportadores chilenos.

Em termos de preços entre os principais mercados no último ano, a China pagou o maior preço médio, de US$ 34,3 por caixa, seguida pela Coreia do Sul (US$ 33,3), Canadá (US$ 33,2) e Holanda (US$ 30,4 por caixa). Reino Unido (+4,6%), China (+1,4%), Holanda (+5%) e Irlanda (+3,2%) registraram aumento no preço médio pago pelos vinhos chilenos em comparação com o período anual anterior. Em contrapartida, os preços caíram nas exportações para Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, enquanto Brasil, Canadá e México permaneceram estáveis.

A análise das exportações por faixa de preço em janeiro mostra que os vinhos de maior valor tiveram desempenho melhor do que os de menor preço, apesar da queda geral nos embarques. Vinhos com preços entre US$ 40 e US$ 50 por caixa registraram aumentos próximos de 40% tanto em volume quanto em valor em relação a janeiro de 2025; os que custam entre US$ 50 e US$ 60 por caixa cresceram mais de 30%. Já os vinhos com preços entre US$ 20 e US$ 30 por caixa apresentaram a maior queda: recuo de 20% em volume e 19% em valor.

Em janeiro, vinhos com preço acima de US$ 50 por caixa representaram 6% do volume total exportado, mas responderam por 19% do valor das exportações — um sinal do crescente interesse internacional por vinhos chilenos premium. O Canadá foi o principal destino desses vinhos de maior valor e apresentou crescimento significativo em relação ao ano anterior. Também houve aumento no valor exportado para Coreia do Sul, Japão, Reino Unido, Holanda e México nesse segmento. Já Brasil, China, Estados Unidos e Alemanha reduziram suas compras desses vinhos premium.

Ao longo de doze meses, apenas os vinhos com preços entre US$ 40 e US$ 50 por caixa apresentaram crescimento positivo — entre 4% e 5%. Os demais segmentos registraram queda: vinhos entre US$ 30 e US$ 40 por caixa caíram 10% tanto em volume quanto em valor, enquanto os vinhos acima de US$ 60 por caixa recuaram 3,2% em volume e 7,8% em valor.

As exportações de vinhos com preço superior a US$ 50 por caixa totalizaram 2,6 milhões de caixas e US$ 248 milhões em valor ao longo de doze meses — representando 6% do volume total exportado de vinho engarrafado, mas uma participação expressiva de 20% no valor das exportações. O Brasil passou a ser o principal mercado para esses vinhos de maior valor em termos de receita, embora não em volume; a China continua sendo um destino importante, apesar das recentes quedas.

Canadá e Dinamarca destacaram-se como mercados com tendências positivas para vinhos premium chilenos durante esse período, segundo dados da Corpo (Corporación Chilena del Vino). O início fraco do ano evidencia os desafios enfrentados pelos exportadores de vinho do Chile, que precisam lidar com mudanças na demanda global e nas preferências dos consumidores entre diferentes faixas de preço no mercado de vinhos engarrafados.

Fonte: Vinetur

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