Grãos

Agricultores brasileiros enfrentam alta no custo do diesel à medida que conflito no Oriente Médio eleva preços do petróleo

mar, 10, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202611

Uma disparada nos preços do diesel está surgindo como a primeira e mais imediata ameaça ao setor agrícola brasileiro decorrente dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, elevando os custos para produtores que colhem uma safra recorde de soja e plantam milho — atividades que não podem ser adiadas.

O Brasil importa cerca de 30% de suas necessidades de diesel, deixando os agricultores expostos à medida que os custos domésticos do combustível sobem acompanhando a alta dos preços globais do petróleo, disseram representantes de importantes entidades do setor agrícola.

O conflito ocorre em um momento sensível para a agricultura brasileira, quando a demanda por diesel está no pico. Os agricultores estão transportando soja para o mercado, colhendo os últimos campos e finalizando o plantio da segunda safra de milho, que responde pela maior parte do milho produzido no país.

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e um grande fornecedor de milho, o que torna qualquer interrupção nas operações agrícolas relevante para os mercados globais de grãos.

Essas atividades não podem ser adiadas, afirmaram representantes do setor, assim como outros trabalhos no campo — como a aplicação de fertilizantes e pesticidas — que também dependem fortemente do diesel.

“No momento, o principal problema é o preço do diesel. Vimos o petróleo sair de cerca de US$ 80 para a faixa de US$ 100 por barril, e isso causou preocupação no campo”, disse à Reuters Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os preços do petróleo chegaram a ultrapassar US$ 119 por barril na segunda-feira antes de recuarem um pouco. Por volta das 14h no horário local, o petróleo Brent ainda registrava alta superior a 7%, sendo negociado perto de US$ 100 por barril.

O aumento no preço do diesel já está sendo sentido, embora a Petrobras, que abastece a maior parte do mercado, ainda não tenha alterado seus preços. Agricultores também relataram problemas na entrega de diesel no Rio Grande do Sul, com alguns fornecedores supostamente restringindo vendas à medida que a alta do petróleo eleva os custos.

Lucchi afirmou que custos mais altos ou possíveis interrupções nas importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, devido aos riscos no Estreito de Hormuz, são administráveis por enquanto, pois os agricultores já garantiram o abastecimento para a safra atual e podem adiar novas compras.

O diesel, no entanto, é um problema imediato. Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), disse que os produtores precisam do combustível agora para manter o trabalho no campo. Diesel e lubrificantes normalmente representam cerca de 5% dos custos operacionais das fazendas, afirmou.

Lucchi disse ter recebido relatos de aumento nos preços nas bombas de cerca de R$ 1 por litro em regiões do Centro-Oeste e do Sul do Brasil, com alguns casos chegando a até R$ 1,50.

Reportagem de Roberto Samora para a Reuters

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