Economia

Conflito no Irã aumenta incerteza econômica e pressiona projeções fiscais do Brasil

mar, 11, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202611

O governo brasileiro enfrenta um cenário mais incerto ao preparar a atualização de suas projeções econômicas, com a volatilidade dos mercados e os impactos do conflito envolvendo o Irã complicando as estimativas que servem de base para a gestão do orçamento federal.

O Ministério da Fazenda deve divulgar nas próximas semanas novas previsões para o crescimento do PIB e a inflação em 2026, indicadores que embasam o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do governo.

O primeiro relatório do ano, previsto para 24 de março, reavaliará a arrecadação e os gastos em relação ao orçamento aprovado e indicará se será necessário realizar bloqueios ou contingenciamentos de despesas para cumprir as regras fiscais.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a evolução do conflito no Oriente Médio pode afetar diretamente as projeções econômicas, sobretudo se houver interrupções na produção ou no refino de petróleo, com impactos sobre inflação e política monetária.

O orçamento federal para 2026 foi elaborado com base em premissas de crescimento econômico de 2,4%, inflação de 3,6%, preço médio do petróleo Brent em torno de US$ 65 por barril e taxa de câmbio de R$ 5,76 por dólar.

Desde o início das tensões, há menos de duas semanas, o mercado de petróleo tem registrado forte volatilidade. Os preços chegaram a se aproximar de US$ 120 por barril, antes de recuar para cerca de US$ 83.

O real também sofreu oscilações no período, embora tenha se recuperado parcialmente, sendo negociado em torno de R$ 5,14 por dólar.

O Tesouro Nacional indicou que preços do petróleo de até US$ 85 por barril podem ter efeitos fiscais positivos, ao elevar receitas de royalties e dividendos da Petrobras. No entanto, valores acima de US$ 100 tendem a gerar pressões inflacionárias mais significativas.

O petróleo é atualmente o principal produto de exportação do Brasil, e a valorização da commodity pode reforçar a arrecadação pública. Por outro lado, o aumento das expectativas inflacionárias pode levar o Banco Central a conduzir com maior cautela o início de um ciclo de redução de juros.

Analistas avaliam que, nesse cenário, o primeiro corte na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas — pode ser mais modesto do que o esperado, possivelmente de 0,25 ponto percentual, em vez de 0,50 ponto.

Taxas de juros elevadas também pressionam as contas públicas, já que quase metade da dívida brasileira está indexada à Selic. De acordo com fontes da equipe econômica, um conflito prolongado poderia deteriorar a dinâmica da dívida pública, compensando parte dos ganhos fiscais provenientes da alta do petróleo.

Fonte: Reuters

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