Brasil vê gás boliviano como chave para impulsionar produção de fertilizantes
mar, 19, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202612
O Brasil pode utilizar o gás natural importado da Bolívia para aumentar sua produção doméstica de fertilizantes, afirmou na terça-feira Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Ele fez as declarações a jornalistas durante o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.
“O Brasil enfrenta um déficit significativo de fertilizantes. A Bolívia tem grande potencial, especialmente por conta de suas reservas de gás. Se esse gás puder ser fornecido ao Mato Grosso a baixo custo, poderá viabilizar a produção de fertilizantes essenciais para o agronegócio”, disse Viana.
O evento reuniu delegações empresariais dos dois países e autoridades governamentais, e fez parte da agenda oficial da visita de Estado ao Brasil do presidente boliviano Rodrigo Paz. Na segunda-feira, Paz se reuniu com o presidente Lula, em Brasília.
“Se o Brasil conseguir acessar gás natural mais barato, poderemos desenvolver plantas de fertilizantes em larga escala. Isso apoiaria diretamente o agronegócio tanto no Brasil quanto na Bolívia. O conflito na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio servem de alerta de que precisamos encontrar soluções locais para a agricultura brasileira”, afirmou Viana.
Suas declarações ocorrem em um momento em que o conflito no Oriente Médio tem elevado os preços dos fertilizantes e do gás natural — insumo-chave na produção de ureia — gerando preocupações entre os produtores rurais.
Em sua fala de abertura no evento, Viana também defendeu o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Bolívia. Ele destacou que o comércio bilateral chegou a US$ 5,5 bilhões em 2013, mas desde então caiu para US$ 2,5 bilhões. Segundo ele, produtores brasileiros têm interesse em estreitar laços com seus pares bolivianos.
“Há interesse dos produtores brasileiros em trabalhar mais de perto com produtores bolivianos, especialmente em Santa Cruz, mas também no Acre. Existe potencial para expandir a cooperação em outras regiões”, afirmou. Ele acrescentou que os dois países podem aprofundar a integração de infraestrutura, ressaltando que projetos na região amazônica devem ser implementados com cuidado para evitar maior pressão sobre o desmatamento.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que também participou do evento, destacou a importância da cooperação entre os dois países no agronegócio. Segundo ele, a Bolívia possui forte potencial de crescimento e posição de destaque em setores como produção de alimentos e máquinas agrícolas. “Este encontro ocorre em um momento estratégico. Nossas economias têm potencial para expandir o comércio agrícola”, disse.
O ministro boliviano do Desenvolvimento Produtivo, Economia Rural e Água, Óscar Mário Justiniano Pinto, afirmou que o país possui cadeias produtivas relevantes e de alto valor agregado que podem ser ampliadas, ajudando agricultores locais a sair da pobreza. Ele descreveu Brasil e Bolívia como economias complementares. “A integração entre Brasil e Bolívia não é acidental. É resultado de uma parceria importante”, disse.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 401,5 milhões em produtos agrícolas para a Bolívia, segundo o Agrostat, sistema estatístico do Ministério da Agricultura. Já as importações brasileiras de produtos agrícolas bolivianos somaram US$ 29,5 milhões.
Fonte: Valor International
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