Portos e Terminais

Porto de Rio Grande concentra 85% da movimentação do RS e impulsiona nova onda de investimentos

mar, 20, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202612

Responsável por quase 85% da movimentação portuária do Rio Grande do Sul, o Porto de Rio Grande consolida o município como um dos principais polos logísticos e industriais do Sul do país. O desempenho recente, aliado a uma carteira de investimentos bilionários, projeta um novo ciclo de crescimento econômico na região.

Atualmente, o Distrito Industrial, integrado à área portuária, reúne 54 empresas em operação. Desse total, 39% estão ligadas ao agronegócio, incluindo indústrias químicas, alimentícias e do setor naval. A diversificação das atividades é um dos fatores que sustentam a expansão do complexo.

— Quando a gente fala da atividade portuária, há crescimento na movimentação de cargas, muito em função do que está sendo produzido no Estado, tanto na agricultura quanto na indústria — afirma o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.

Somente em janeiro deste ano, foram movimentadas 2,8 milhões de toneladas, com a operação de 226 embarcações. Na comparação com o mesmo período de 2025, a movimentação de contêineres cresceu 41,26%, reforçando a tendência de expansão.

Veja quais foram os principais produtos exportados no longo curso para destinos internacionais, em contêineres, através do Porto de Rio Grande em janeiro de 2026:

Principais Exportados pelo Porto de Rio Grande | Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

— Observamos aumento tanto nas cargas a granel quanto nos contêineres. No ano passado, superamos as 46 milhões de toneladas movimentadas, um crescimento significativo que demonstra a evolução da atividade — acrescenta Klinger.

Os números incluem operações do Porto Público, terminais arrendados — como Braskem, Tergrasa, Transpetro, Petrobras e Tecon —, além de terminais privados como Bunge, Bianchini, Termasa e Yara.

No cenário internacional, o porto mantém forte inserção global. Em janeiro de 2026, as importações somaram 665 mil toneladas, com destaque para China (26,78%), Argentina (20%) e Alemanha (8%). Já as exportações atingiram 1,4 milhão de toneladas, com destinos como Indonésia, Bangladesh, Coreia do Sul, Vietnã e França.

Cidade no radar de investidores

O protagonismo logístico tem colocado Rio Grande no centro de novos investimentos. Um dos principais projetos em andamento é o terminal portuário da CMPC, que integra um pacote de R$ 27 bilhões no Estado voltado à produção e exportação de celulose.

— O terminal é uma joint venture entre CMPC e Neltume Ports, com investimento superior a R$ 1,5 bilhão. Estamos na fase de licenciamento ambiental, com obras previstas para iniciar no fim de 2026 e conclusão em 2028 — explica o diretor-geral, Leonardo Maurano.

A iniciativa deve gerar mais de 1.200 empregos na obra, cerca de 450 vagas diretas na operação e aproximadamente 2,1 mil postos indiretos. Quando a produção iniciar, em 2029, o total pode chegar a 5 mil empregos.

Para Klinger, a combinação entre posição estratégica e infraestrutura multimodal é decisiva para atrair novos empreendimentos.

— Temos acesso rodoviário, ferroviário e hidroviário, além de área para expansão, o que amplia o potencial logístico — destaca.

A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, afirma que o município atua para facilitar a chegada de empresas.

— Estamos trabalhando para garantir mais agilidade nos licenciamentos e atrair novos investimentos — afirma.

Transição energética e novo ciclo

Outro projeto estratégico é a transformação da Refinaria Riograndense em biorrefinaria, que deve posicionar o município como referência na produção de combustíveis renováveis na América Latina. O investimento estimado é de US$ 1 bilhão.

Com a mudança, a unidade deixará os combustíveis fósseis e passará a operar com matérias-primas renováveis, como soja, canola e óleos residuais, fortalecendo a cadeia produtiva.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a unidade deve estar entre as mais avançadas do mundo em tecnologia e eficiência.

A soma de investimentos logísticos, industriais e energéticos aponta para uma mudança no perfil de desenvolvimento da cidade.

— O foco não é apenas fazer obras, mas atrair empresas, gerar competitividade e impulsionar a economia — conclui Klinger.

Com base em infraestrutura, integração logística e novos investimentos, Rio Grande reforça sua posição como um dos principais eixos econômicos do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Fonte: GZN

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