Brasil já preencheu 33% da cota de carne bovina da China antecipadamente
mar, 23, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202613
O Brasil já utilizou 33,6% de sua cota anual de exportação de carne bovina para a China, o que tem gerado preocupação entre os frigoríficos nacionais sobre possíveis impactos ao longo do restante do ano. Na sexta-feira (20), a China informou que o Brasil enviou 372.300 toneladas ao seu mercado entre janeiro e fevereiro, de um total de 1,1 milhão de toneladas estabelecido para 2026.
Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), os números evidenciam a urgência de o governo federal aprovar um sistema de controle dos embarques de carne bovina para a China, a fim de evitar desorganização na cadeia de oferta de gado no segundo semestre.
Na avaliação de Perosa, sem um mecanismo governamental para regular as exportações para a China, a cota de 1,1 milhão de toneladas pode ser totalmente esgotada já em maio. Caso isso aconteça, o impacto para os frigoríficos pode incluir redução nas linhas de abate e aumento dos preços da carne no mercado interno, à medida que as empresas tentam compensar a perda de receita com exportações.
O resultado, segundo ele, pode ser carne mais cara para os consumidores brasileiros na segunda metade do ano, com possíveis efeitos inflacionários.
“Se as cotas forem reguladas, os volumes durariam até setembro. Sem isso, acabam em maio. Isso teria um duplo efeito: uma forte queda no abate, pela falta de destinos suficientes para exportação, e aumento dos preços da carne no mercado interno”, afirmou ao Valor.
Perosa acrescentou que a receita de exportação é essencial para o equilíbrio financeiro das empresas frigoríficas. Sem essa receita — considerando que a China é o principal comprador da carne bovina brasileira e que os custos fixos permanecem inalterados — o resultado mais provável é o aumento dos preços dos cortes vendidos em açougues e supermercados em todo o Brasil.
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve votar na quinta-feira (26) uma proposta para estabelecer um sistema estatal de gestão da cota de carne bovina da China. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não respondeu imediatamente aos questionamentos do Valor sobre se o tema será tratado.
Em fevereiro, a ABIEC apresentou ao governo uma proposta detalhando um sistema de gestão de cotas. O plano prevê a distribuição proporcional dos volumes de exportação entre as empresas habilitadas a vender para a China, com base no desempenho de 2025, além de alocações trimestrais até setembro. O objetivo é garantir que os embarques saiam do Brasil e cheguem aos portos chineses dentro do mesmo ano-calendário, considerando que o trânsito marítimo pode levar até 60 dias.
A associação argumenta que o mecanismo ajudaria a organizar os fluxos comerciais e evitar uma corrida por parte dos frigoríficos para embarcar volumes antecipadamente, a fim de escapar da tarifa de 55% aplicada às exportações que excedem a cota.
Perosa afirmou que o setor já apresentou ao governo federal as bases técnicas e jurídicas da proposta, além dos possíveis prejuízos para a cadeia doméstica caso não haja regulação. A votação no Gecex já foi adiada duas vezes.
Ele acrescentou que o controle de cotas será importante não apenas neste ano, mas também nos próximos, já que a China definiu volumes de importação até 2028. Em sua avaliação, a ausência de regulação governamental pode causar “danos significativos ao setor no médio prazo”.
Dados da Datamar apontam que o Brasil exportou à China 7.780 TEUs de carne bovina em janeiro de 2026. Esse volume representa uma alta de 4,8% ano-a-ano. O gráfico a seguir, construído com as informação obtidas na plataforma DataLiner, detalha as exportações mensais do produto brasileiro:
Exportação de Carne Bovina à China | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Na sexta-feira, a China também divulgou dados de exportação de outros fornecedores sujeitos a cotas. No caso do Brasil, os números diferem dos dados oficiais compilados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que registrou embarques de 229.850 toneladas para a China nos dois primeiros meses do ano. As autoridades chinesas, no entanto, contabilizam as chegadas, e não os embarques — ou seja, cargas despachadas dos portos brasileiros no ano passado só chegaram à China em 2026, após o anúncio da cota.
Fonte: Valor International
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