Entressafra ‘alivia’ efeitos da guerra sobre exportações de frutas
mar, 27, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202613
Ao menos por enquanto, a entressafra tem ajudado a limitar os impactos imediatos da guerra no Oriente Médio sobre as exportações brasileiras de frutas. O conflito encareceu o petróleo, elevando o custo do transporte no comércio internacional. Ainda assim, como os embarques da fruticultura nacional se concentram no segundo semestre, a maioria dos exportadores tem passado ao largo do aumento do frete.
“Para a maioria dos exportadores de frutas, a guerra ‘não pontuou’”, disse Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Ele conversou com o Valor durante a Fruit Attraction, feira realizada em São Paulo e encerrada na quinta-feira (26/3). Na segunda-feira (30/3), Coelho deixará o cargo, e o empresário Waldyr Promicia assumirá a presidência.
Cerca de 60% das exportações brasileiras de frutas ocorrem no segundo semestre, especialmente entre setembro e dezembro, segundo dados da Abrafrutas. A maior parte dos embarques de manga e melão — as duas frutas mais relevantes nas exportações do segmento — ocorre nesse período.
Confira o gráfico a seguir e confira as tendências de movimentação de frutas no sentido exportação ao longo dos últimos três anos:
Exportação de Frutas | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Os embarques da nova safra costumam começar no fim de julho, afirma Leandro Perna, gerente de logística de cargas refrigeradas da Maersk. No entanto, o volume ganha força a partir da “semana 34”. Segundo ele, muitos agentes consideram esse período, em meados de agosto, um termômetro das exportações. “Se as coisas vão bem nessa semana, a tendência é que o resultado seja positivo até o fim da safra”.
Perna estima que, após o início da guerra no Oriente Médio, o custo do frete marítimo subiu entre US$ 300 e US$ 600 por contêiner — cerca de 10%, a depender da carga e do destino.
A tendência é de aumento mais intenso no transporte aéreo. Em painel na Fruit Attraction, Patrícia Bello, diretora-geral da GolLog, afirmou que o preço do querosene de aviação (QAV) deve subir 54% em abril. A GolLog não atua no transporte internacional de frutas.
A Gold Fruit, de Petrolina (PE), que produz manga, uva e melão no Vale do São Francisco, ainda não iniciou os embarques de duas das três variedades de manga que exporta. A exceção é a variedade palmer, enviada ao exterior ao longo de todo o ano.
Mario Otsuka, presidente executivo da Gold Fruit, afirma que a empresa negocia antecipadamente o frete para o primeiro e o segundo semestre. “O pessoal já está começando a chiar”, diz, referindo-se à tentativa de operadores logísticos de antecipar reajustes. A Europa é o principal destino das exportações da companhia.
A Sebastião da Manga, também de Petrolina, atua na exportação e importação de frutas por diferentes modais. No transporte rodoviário, o custo de uma carreta subiu de R$ 28 mil para R$ 32 mil após o início da guerra, afirma o diretor executivo Robson Araújo. “Se a guerra se estender muito, vai complicar demais para o setor”, diz.
Fonte: Globo Rural
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