China detém navios com bandeira do Panamá em meio à disputa pelo controle de portos, diz FMC
mar, 30, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202613
A Comissão Marítima Federal dos Estados Unidos (FMC) informou na quinta-feira (26 de março) que está monitorando de perto um aumento nas detenções de embarcações com bandeira do Panamá na China, o que parece estar relacionado a uma decisão judicial panamenha contra a CK Hutchison, sediada em Hong Kong.
A Suprema Corte do Panamá, no fim de janeiro, invalidou o arcabouço legal que sustentava a concessão de 1997 que concedia à Panama Ports Company, da CK Hutchison, o direito de operar os terminais de Balboa e Cristóbal, nos lados Pacífico e Atlântico do Canal do Panamá.
A China afirmou que se opõe firmemente à decisão contra as concessões portuárias da Hutchison, classificando-a como um “ato de má-fé”.
Após a decisão, o governo panamenho nomeou as subsidiárias americanas APM Terminals, da Maersk, e a Terminal Investment Limited, da Mediterranean Shipping Company (MSC), como operadoras interinas, sob contratos de 18 meses.
O cancelamento ocorreu após crescente pressão dos Estados Unidos para conter a influência chinesa ao redor do canal estratégico, que movimenta cerca de 5% do comércio marítimo global.
A comissária Laura DiBella, presidente da FMC, afirmou que as detenções de navios registrados no Panamá pela China superaram amplamente os padrões históricos. O número chegou a quase 70 desde 8 de março, segundo relatório da Lloyd’s List Intelligence.
“Essas inspeções intensificadas foram realizadas sob diretrizes informais e parecem destinadas a punir o Panamá após a transferência dos ativos portuários da Hutchison”, disse DiBella em comunicado.
“Considerando que navios com bandeira do Panamá transportam uma parcela relevante do comércio de contêineres dos EUA, essas ações podem resultar em consequências comerciais e estratégicas significativas para o transporte marítimo norte-americano”, acrescentou, destacando que a FMC tem autoridade legal para investigar se regulações ou práticas de governos estrangeiros podem prejudicar o comércio dos EUA.
Em um movimento paralelo, o Ministério dos Transportes da China convocou Maersk e MSC a Pequim para discussões de alto nível, disse DiBella. O ministério não divulgou detalhes.
“As repetidas declarações irresponsáveis dos Estados Unidos apenas expõem sua própria intenção de tomar o controle do canal à força”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, em coletiva regular na sexta-feira.
O Ministério dos Transportes da China não respondeu imediatamente a um pedido separado de comentário feito pela Reuters.
A CK Hutchison, que operou os portos por quase 30 anos, rejeitou fortemente a decisão judicial panamenha, acusou as autoridades do Panamá de apreensão ilegal de bens e iniciou um processo de arbitragem internacional contra o país, reivindicando mais de US$ 2 bilhões em indenizações.
A disputa também complicou a planejada venda de US$ 23 bilhões de uma participação majoritária no negócio global de portos da CK Hutchison para um consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC.
Fonte: Reuters
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