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Mitsui O.S.K. aguarda definição sobre segurança e orientação do governo para retirar navios do Golfo, diz CEO

abr, 09, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202615

A japonesa Mitsui O.S.K. Lines quer começar a retirar o quanto antes suas embarcações retidas nas proximidades do Estreito de Ormuz, mas antes precisa garantir que a passagem seja segura e receber orientação do governo japonês, disse seu principal executivo no dia 9 de março.

Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha concordado com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, ainda não há sinal de que Teerã tenha suspendido o bloqueio da hidrovia estratégica, que vem afetando o abastecimento global de energia e desorganizando cadeias de suprimento.

“Ainda não está claro como esse cessar-fogo será implementado nas águas da região”, disse à Reuters, em entrevista, o presidente e CEO da MOL, Jotaro Tamura. “É preciso confirmar que os riscos à segurança estão suficientemente baixos.”

Ele acrescentou que a companhia também aguarda orientações do governo japonês.

Três navios-tanque da MOL — um transportador de GNL e duas embarcações de GLP — cruzaram o estreito no início deste mês, sendo os primeiros navios ligados ao Japão a fazê-lo desde o início do conflito. Tamura preferiu não comentar essas travessias, mas afirmou que várias embarcações ainda permanecem no Golfo.

Tamura, promovido aos cargos atuais a partir de 1º de abril, disse que a empresa garantiu combustível bunker suficiente para suas operações até o fim de maio.

Segundo ele, se o conflito se prolongar, a escassez de matérias-primas poderá afetar a atividade industrial e reduzir os volumes de carga. No longo prazo, porém, a crise pode acabar favorecendo o transporte marítimo, caso as empresas passem a reforçar a resiliência de suas cadeias de suprimento.

“Se houver reavaliações nos setores de recursos e energia, decisões que antes eram guiadas pela racionalidade econômica em tempos normais poderão passar a ser consideradas racionais mesmo quando não forem economicamente vantajosas”, afirmou, citando como exemplos a compra de insumos em locais mais distantes ou a custos mais altos, ou ainda a manutenção de estoques adicionais que antes seriam vistos como um gasto desnecessário.

Revisão da projeção de lucro

A Elliott Investment Management adquiriu uma participação “significativa” na MOL e vem pressionando a companhia de navegação a melhorar o retorno aos acionistas e a eficiência do capital.

Tamura se recusou a comentar discussões com acionistas específicos, mas afirmou que o plano de gestão de médio prazo anunciado em março não foi influenciado pelas demandas da Elliott.

Nesse plano, a MOL projetou lucro antes de impostos de 200 bilhões de ienes (US$ 1,26 bilhão) para o exercício financeiro iniciado neste mês.

Ainda assim, Tamura afirmou que a companhia pretende revisar sua projeção quando divulgar seus resultados anuais ainda neste mês. Ele não especificou se a revisão será para cima ou para baixo.

Fonte: Reuters

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