Exportações da China devem perder fôlego à medida que guerra com o Irã enfraquece impulso da IA
abr, 14, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202616
As exportações da China perderam força em março, à medida que compradores passaram a lidar com a realidade da guerra no Oriente Médio, que provocou um choque nos preços de energia e reacendeu no mercado o temor de novas turbulências no Golfo.
Segundo uma pesquisa da Reuters, as exportações da segunda maior economia do mundo avançou 8,6% em março na comparação anual, em dólares. Ainda assim, o ritmo representa uma desaceleração clara frente ao salto de 21,8% registrado em janeiro e fevereiro.
Março se tornou o primeiro teste concreto para medir se o entusiasmo em torno da inteligência artificial — e da demanda por chips e servidores que ela gera — seria suficiente para compensar o pessimismo desencadeado pelo choque energético global após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás.
A China começou 2026 com embarques externos muito acima das previsões, puxados pelas exportações de tecnologia, o que alimentou a perspectiva de que o país pudesse superar o recorde de superávit comercial de US$ 1,2 trilhão alcançado no ano passado. A guerra com o Irã, porém, passou a lançar dúvidas sobre essa trajetória.
Nem mesmo a China, há anos criticada por parceiros comerciais por sua produção subsidiada e de baixo custo, está imune à perda de poder de compra dos clientes diante da alta dos combustíveis e dos custos de transporte.
Ainda assim, os fabricantes chineses podem acabar ganhando espaço, na medida em que compradores busquem alternativas mais baratas, disse Fred Neumann, economista-chefe do HSBC para a Ásia. Segundo ele, décadas de formação de estoques de commodities também ajudaram a amortecer o impacto dos choques nas matérias-primas sobre os preços na saída das fábricas.
Os economistas se dividiram sobre o desempenho dos produtores chineses no primeiro mês completo sob a sombra da guerra. A Mizuho Securities apresentou a projeção mais otimista, com alta de 24%, à frente do Macquarie Group, que estimou avanço de 17%. Na outra ponta, o Citigroup projetou crescimento de apenas 3%.
Uma base de comparação elevada também tende a pesar sobre o resultado, depois que fábricas chinesas aceleraram embarques um ano antes para antecipar-se ao prazo de 2 de abril das tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sob o nome de “Dia da Libertação”.
As importações chinesas, por sua vez, cresceram 11,2% em março, segundo a pesquisa, abaixo do avanço de 19,8% registrado no bimestre janeiro-fevereiro.
As exportações da Coreia do Sul para a China — frequentemente vistas como um termômetro da demanda chinesa — subiram 62,4% em março, puxadas por um salto de 151,4% nos embarques globais de semicondutores, sustentado pela alta dos preços das memórias e pela forte demanda por servidores ligados à inteligência artificial.
Dados divulgados em março sobre a atividade industrial na China mostraram que as exportações de bens continuaram dando suporte ao crescimento, mas a guerra com o Irã pressionou o sentimento do mercado, à medida que os preços das commodities subiram com força, elevando os custos dos insumos.
A previsão é de que o superávit comercial da China recue para US$ 108 bilhões em março, ante US$ 214 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro.
Trump deve visitar a China em maio para uma reunião com o presidente Xi Jinping. A viagem pode abrir espaço para avanços em temas como comércio agrícola e peças de aeronaves, mas dificilmente reduzirá as divergências estratégicas profundas entre os dois países, especialmente em relação a Taiwan.
Fonte: Reuters
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