Portos e Terminais

Coamo e Yara avaliam uso conjunto de porto em Santa Catarina

abr, 16, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202616

A Coamo Agroindustrial e a Yara Brasil assinaram um memorando de entendimentos não vinculante para estudar potenciais iniciativas conjuntas relacionadas ao terminal portuário que a cooperativa paranaense vai implantar em Itapoá (SC).

O terminal portuário começará a ser construído em 2027 e deve entrar em operação em 2030. Com investimento estimado em R$ 3 bilhões, vai ocupar 43 hectares e terá três berços de atracação, para granéis sólidos, um para líquidos combustíveis e GLP (gás liquefeito de petróleo) e um para fertilizantes. A estrutura terá capacidade para movimentar 9,3 milhões de toneladas por ano.

“A Coamo é um cliente estratégico para a Yara Brasil. E do ponto de vista de corredores logísticos, tem um papel importante na nossa matriz de abastecimento. O projeto do terminal tem muita sinergia com o nosso negócio”, afirmou ao Valor Alessandro Riquetti, vice-presidente de supply chain da Yara Brasil.

De acordo com o executivo, Yara e a Coamo avaliam o uso conjunto do terminal portuário, da frota de caminhões da cooperativa e a possibilidade de aproveitar os navios que chegam com fertilizantes para fazer a exportação de grãos e farelo de soja. “Isso acaba reduzindo o custo logístico”, afirmou o vice-presidente.

Ele observou que, no pico da safra, a empresa chega a pagar por 30 a 40 dias de estadia adicional de produto no porto, com custo de US$ 30 mil a US$ 40 mil por dia, enquanto aguarda navio disponível para embarque. “Um terminal a mais desafoga a demanda nesse período”, disse.

A Yara ainda não definiu o valor a ser investido na parceria. Segundo o executivo, o montante será estabelecido posteriormente, após a definição sobre o modelo de negócios a ser adotado.

Ao Valor, Airton Galinari, presidente-executivo da Coamo, disse que a cooperativa estuda parcerias com outros grupos para exploração do berço de líquidos combustíveis e GLP, mas prefere manter os nomes em sigilo, enquanto as negociações avançam. A Coamo pretende operar o berço de granéis para embarcar grãos, farelo e óleo de soja.

Maior cooperativa agrícola do país, com sede em Campo Mourão (PR) e 32,7 mil cooperados, a Coamo recebeu 9,6 milhões de toneladas de produtos em 2025, principalmente soja, milho e trigo, representando 2,7% da produção brasileira de grãos e 17% da produção do Paraná.

Neste ano, a cooperativa espera receber 20% mais soja que em 2025, chegando a algo entre 6 milhões de toneladas e 6,3 milhões de toneladas. Além disso, prevê receber entre 3,6 milhões e 3,8 milhões de toneladas de milho – em 2025, foram 4 milhões.

Galinari disse que a cooperativa e a fabricante de fertilizantes de origem norueguesa vão realizar estudos em conjunto para avaliar oportunidades de ganho de eficiência operacional, otimização do fluxo de fertilizantes e sustentabilidade da cadeia.

A Coamo opera hoje com uma frota de pouco mais de 1 mil caminhões. A Yara, por sua vez, usa frota terceirizada. O objetivo é garantir um fluxo que permita à Coamo levar grãos, farelo e óleo para embarque no terminal portuário, e voltar para a cooperativa com fertilizantes e calcário. “Estamos trabalhando para atender condições de sustentabilidade e trabalhar a integração na região”, afirmou Galinari.

“A Yara estuda este projeto como parte da estratégia de reforçar nossa posição portuária na região, com foco no melhor atendimento aos clientes e no aumento da competitividade”, acrescenta Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil.

No Brasil, a Yara Brasil opera com terminal próprio no porto de Rio Grande (RS). Em outros dez portos, contrata capacidade de terminais para importar. A companhia importa de 6 milhões a 7 milhões de toneladas de matérias-primas e fertilizantes por ano.

Segundo Riquetti, o acordo com a Coamo representa a primeira parceria da empresa no Brasil para atuar como condomínio logístico.

Fonte: Valor Econômico

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