Acordo entre EUA e China pode redirecionar fluxos das exportações do agronegócio brasileiro
maio, 19, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202621
Um acordo para ampliar as compras chinesas de produtos do agronegócio dos Estados Unidos pode levar o Brasil a buscar exportações em mercados deixados pelos embarques americanos, à medida que Washington concentra parte de suas exportações no principal parceiro comercial brasileiro, disseram especialistas do setor nesta segunda-feira (18).
Na avaliação deles, ainda é cedo para medir com precisão os efeitos do acordo anunciado no domingo pela Casa Branca sobre o setor agropecuário brasileiro. Mesmo assim, a competitividade do Brasil pode abrir caminho para que o país avance sobre outros destinos.
Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China somaram US$ 55,22 bilhões, o equivalente a cerca de um terço de todas as vendas externas do setor no ano passado, segundo dados do governo. Desse total, a soja respondeu por US$ 34,5 bilhões, seguida pelas carnes, com US$ 9,82 bilhões.
Confira a seguir os volumes mensais da carne bovina exportada à China, segundos os dados da Datamar:
Exportação de Carne Bovina | China | Jan 2023 – Mar 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A Casa Branca estima compras adicionais de 25 milhões de toneladas de soja americana por parte da China. Se esse volume se confirmar, o Brasil provavelmente terá de redirecionar parte de seus fluxos comerciais, avaliou a corretora Stag International.
“Um programa chinês de compra de 25 milhões de toneladas de soja tenderia a deslocar principalmente compradores de fora da China em direção ao Brasil e a outras origens”, afirmou a corretora em relatório.
Segundo a Stag, o Brasil segue estruturalmente competitivo e, com uma safra recorde projetada em mais de 180 milhões de toneladas em 2026, deve continuar capturando uma parcela importante da demanda fora do mercado chinês.
Anec e Abiove, entidades que representam tradings e processadoras de soja, não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
No caso da carne bovina, o movimento pode até abrir espaço para o Brasil ampliar embarques aos Estados Unidos. A avaliação é que, diante da oferta apertada no mercado americano, os EUA poderiam destinar uma fatia maior de sua produção à China e recorrer mais às importações.
“Em princípio, se a renovação das habilitações das plantas americanas pela China se confirmar, pode haver interesse dos Estados Unidos em recuperar parte de sua participação no mercado chinês. Diante da grande insuficiência da produção americana para atender à demanda interna, podem surgir oportunidades para outros países, como o Brasil, ampliarem as vendas aos EUA”, disse Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo.
Na sexta-feira, o site da alfândega chinesa mostrou que a China renovou mais de 400 licenças de exportação vencidas de frigoríficos americanos, após a cúpula realizada em Pequim entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.
Mustefaga ponderou, no entanto, que os Estados Unidos, assim como o Brasil, também estão sujeitos a uma cota para exportações de carne bovina no âmbito das medidas de salvaguarda adotadas pela China, o que tende a limitar qualquer avanço mais expressivo das vendas americanas para o mercado chinês.
Fonte: Reuters
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