CMA CGM mantém receita no 1º trimestre, mas queda dos fretes pressiona resultado marítimo
maio, 26, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202622
A CMA CGM encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receita estável, mas registrou queda na rentabilidade de sua operação marítima em meio à retração das receitas por TEU e à continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio, segundo resultados divulgados pelo grupo. A companhia reportou faturamento de US$ 13,2 bilhões entre janeiro e março, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, com leve recuo de 0,2%.
O EBITDA consolidado somou US$ 2,1 bilhões, queda de 31,6% na comparação anual, com margem de 16%, 7,3 pontos percentuais abaixo da observada no primeiro trimestre do ano passado. De acordo com a empresa, a piora refletiu principalmente o desempenho da atividade marítima, pressionada por uma base de comparação elevada e por um ambiente de mercado menos favorável.
Na divisão de navegação, os volumes transportados alcançaram 5,9 milhões de TEUs no trimestre, alta de 1,5% sobre o mesmo período de 2025. Ainda assim, a receita marítima caiu 8,5%, para US$ 8 bilhões, impactada pela redução de 9,8% na receita média por TEU, que ficou em US$ 1.351.
O EBITDA da operação marítima recuou para US$ 1,5 bilhão, ante US$ 2,5 bilhões um ano antes. A margem EBITDA do segmento caiu 10,3 pontos percentuais, para 18,6%, refletindo a queda dos fretes em relação ao ano anterior, apesar de uma recuperação das taxas spot no fim do trimestre.
Do ponto de vista operacional, a companhia manteve ajustes em sua malha de serviços e lançou novas rotas dentro da OCEAN Alliance. Entre os destaques do trimestre está o produto “DAY 10”, com 41 serviços nas principais rotas Leste-Oeste e capacidade total de 5,3 milhões de TEUs. A CMA CGM também lançou o serviço Ocean Rise Express, ligando Japão, sul da China e norte da Europa, e reforçou o Eagle Express 1 entre o Japão e a costa oeste dos Estados Unidos.
Em março, o grupo iniciou o serviço PCRF XL, uma conexão semanal entre o norte da Europa, as Antilhas Francesas e a América Central, operada com sete navios de 6.000 TEUs. A companhia afirmou que a rota faz parte de sua estratégia de “Caribbean Hub” e mira 300 mil contêineres transbordados por ano até 2027.
A empresa também informou ter adotado corredores multimodais alternativos para manter a continuidade da cadeia logística com os países do Golfo em resposta às restrições de navegação no Estreito de Hormuz. O tema permanece no centro das preocupações do grupo, que apontou a escalada das tensões no Oriente Médio como um dos principais fatores de pressão sobre custos operacionais e sobre o equilíbrio do mercado de transporte marítimo.
Na logística, a CEVA registrou receita de US$ 4,6 bilhões no trimestre, alta de 6,6% na comparação anual, apoiada por efeitos de perímetro e câmbio. O EBITDA da divisão, porém, caiu 17,2%, para US$ 330 milhões, com margem de 7,2%, em meio à pressão sobre atividades de gestão de frete e aos desafios persistentes no setor automotivo.
Entre os movimentos do trimestre nessa frente, a CEVA assinou contrato global com a HAECO para gestão de fluxos de componentes aeronáuticos e fechou acordo com a Airbus Helicopters para operar um centro regional de distribuição em Cingapura. A companhia também ampliou sua atuação em logística automotiva com investimento de 9 milhões de euros no Porto de Tarragona, na Espanha, adicionando 94 mil metros quadrados de área e capacidade para movimentar 4.500 veículos.
Nas chamadas “outras atividades”, a receita cresceu 59,1%, para US$ 1,3 bilhão, impulsionada por efeitos de perímetro e pelo avanço das operações de terminais. O EBITDA do segmento avançou 90%, para US$ 294 milhões, com margem de 22,9%, refletindo melhora de rentabilidade nas operações portuárias, em carga aérea e em negócios recentemente consolidados.
Na frente de investimentos, o grupo anunciou no trimestre a encomenda de seis navios porta-contêineres movidos a GNL em estaleiro indiano, além da criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento com a Capgemini para soluções digitais e de inteligência artificial. Também firmou parceria com a Stonepeak para formar a joint venture global United Ports LLC, que reunirá dez terminais estratégicos na América do Norte, Europa, América Latina e Ásia. Pela operação, a Stonepeak investirá US$ 2,4 bilhões para adquirir 25% do negócio.
A CMA CGM também concluiu a aquisição da Freightliner UK, operadora de transporte ferroviário no Reino Unido, e, por meio da CEVA, comprou o grupo italiano Fagioli, especializado em logística de projetos e transporte de cargas pesadas.
Para os próximos meses, a companhia afirmou que segue atenta aos impactos das tensões no Oriente Médio, à volatilidade do petróleo, às mudanças nas taxas de frete e às decisões de países em matéria de política comercial e tarifas. Segundo o grupo, a estratégia para enfrentar esse cenário continuará baseada na diversificação de atividades, na flexibilidade da rede e na solidez financeira.
Fonte: CMA CGM
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