Setor de amendoim da Argentina reduz área plantada em 24% após safra recorde de 2024/25
maio, 28, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202622
O setor de amendoim da Argentina enfrenta uma contração significativa na safra 2025/26 após dois anos de expansão contínua, que culminaram em recordes de área plantada, produção, processamento e exportações em 2024/25. A área plantada é estimada em 406 mil hectares, 24% abaixo do pico registrado na safra anterior, segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca processados pela Bolsa de Comércio de Rosário.
A queda é resultado principalmente da redução dos preços internacionais do amendoim e do aumento dos custos de produção, fatores que comprimiram as margens esperadas. A incerteza climática ligada a episódios de seca em fases críticas da cultura também aumentou a pressão. A produtividade foi afetada: em maio, a SAGyP reportou rendimento médio de 30 quintais por hectare, abaixo da média dos últimos cinco anos, de 32 qq/ha. Como consequência, a produção projetada caiu 34% em relação ao ciclo anterior, para 1,2 milhão de toneladas, representando a maior retração anual dos últimos cinco anos. Sob uma perspectiva histórica, porém, o volume projetado está apenas 5% abaixo da média registrada antes da safra recorde, em níveis semelhantes aos de 2020/21.
Pressão dos preços internacionais
O ciclo de preços internacionais explica grande parte do ajuste na produção. Após atingir o pico de US$ 2.056 por tonelada em janeiro de 2024, os preços internacionais do amendoim iniciaram uma forte correção, estabilizando-se em torno de US$ 1.200 por tonelada no último trimestre de 2025, abaixo da média histórica da última década. A queda acumulada desde o pico até o fim de 2025 foi de 42%, influenciando diretamente as decisões de plantio dos produtores argentinos para a atual safra.
O cenário global também adiciona pressão. Segundo o USDA, a produção mundial de amendoim em 2024/25 cresceu 4,4% em relação ao ano anterior, alcançando 52 milhões de toneladas, elevando os estoques finais. Para 2025/26, apesar de uma leve retração da produção global para 51,5 milhões de toneladas, os estoques projetados permanecem acima da média recente, sugerindo que a pressão baixista sobre os preços pode persistir no curto prazo. No primeiro trimestre de 2026, os preços mostraram leve estabilização em torno de US$ 1.250 por tonelada, segundo o Banco Mundial, ainda abaixo da média histórica.
Processamento e exportações: recorde em 2025, retração em 2026
O processamento industrial de amendoim atingiu um recorde histórico em 2025 em todas as categorias — pellets, óleo e expellers — impulsionado pela safra recorde de 2024/25 e pela redução a zero das taxas de exportação sobre resíduos sólidos do processamento de amendoim, prevista no Decreto 38/2025. Para 2026, a Câmara Argentina do Amendoim projeta queda de 22% no processamento industrial, estimado em 206 mil toneladas.
Nas exportações, 2025 também marcou um recorde: 915 mil toneladas embarcadas, somando US$ 1,227 bilhão, destinadas a mais de 90 países. A Holanda foi o principal destino pelo quinto ano consecutivo, seguida pela China e pelo Reino Unido. No entanto, o desempenho revela uma dinâmica importante: o volume exportado cresceu 25%, mas o preço implícito caiu 17%, fazendo com que o valor total aumentasse apenas 3%.
No período entre janeiro e abril de 2026, as exportações de amendoins em contêineres da Argentina alcançaram a cifra de 21.127 TEUs (+29% a/a). Confira abaixo os volumes mensais registrados, segundo os dados obtidos pela Datamar:
Exportação de Amendoins | Argentina | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
No primeiro trimestre de 2026, o setor exportou 248 mil toneladas, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada pelos elevados estoques remanescentes da safra recorde. Para o restante do ano, a Câmara Argentina do Amendoim projeta retração em linha com a menor disponibilidade de produção.
Apesar do ajuste, o USDA posiciona a Argentina como o segundo maior exportador mundial de amendoim, com participação de 23% nas exportações globais, atrás apenas da Índia, com 25%.
Fonte: dataPORTUARIA
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