EUA propõem tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil
jun, 03, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202623
Uma nova investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que o Brasil e outros 59 países falharam em proibir ou fiscalizar adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho infantil ou forçado.
A decisão poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Alguns itens, porém, poderão ser isentos da medida, entre eles energia, terras raras, determinados metais, carne bovina, café, algumas frutas e vegetais, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos e peças de aeronaves.
A proposta foi anunciada um dia após o governo americano concluir outra investigação comercial contra o Brasil e sugerir uma tarifa de 25% sobre uma parcela significativa das importações brasileiras.
O relatório do USTR também prevê tarifas de 10% para importações de países como Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, El Salvador, Guatemala, Malásia, Taiwan e Reino Unido. Para o Brasil e outros 44 países investigados, a proposta é de uma tarifa adicional de 12,5%.
Em comunicado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que os parceiros comerciais do país precisam intensificar os esforços para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado, argumentando que essa prática prejudica a competitividade dos trabalhadores americanos.
As novas tarifas ainda não entrarão em vigor. A proposta será submetida a consulta pública e revisão, com audiências previstas para começar em 7 de julho.
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o relatório, os 60 países analisados não aplicam de forma eficaz a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado.
O documento cita estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo as quais 27,6 milhões de pessoas estavam submetidas ao trabalho forçado em 2021. Entre os produtos considerados mais suscetíveis ao uso dessa prática estão arroz de Mianmar, tabaco do Malawi, carne bovina do Brasil, além de algodão e polissilício da China.
Segundo os dados disponíiveis no DataLiner, os dois produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA foram carne bovina e madeira compensada. Confira o top dez a seguir, segundo os dados de contêineres da Datamar:
Produtos Mais Exportados aos EUA | Jan-Abr | 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O USTR também prevê exceções ou tarifas reduzidas para alguns produtos, incluindo determinados itens têxteis, tomates, bananas, café e alguns metais. No caso do setor têxtil, a proposta prevê um mecanismo que permitiria a entrada de um volume específico de vestuário e têxteis nos EUA com tarifas reduzidas, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados.
Fonte: Valor Econômico
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