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Tabaco lidera lista de produtos gaúchos ameaçados por sobretaxa dos Estados Unidos, aponta Farsul

jun, 10, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202624

Uma proposta em análise nos Estados Unidos para aplicar uma sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras acendeu um alerta para o agronegócio do Rio Grande do Sul, especialmente para a cadeia produtiva do tabaco, um dos principais itens da pauta exportadora do estado. O estudo foi elaborado pela Assessoria Econômica da Farsul e divulgado na terça-feira, 02.

Segundo o levantamento, o Rio Grande do Sul está entre os estados brasileiros mais vulneráveis à medida. Dos US$ 1,34 bilhão exportados pelo estado para o mercado norte-americano, cerca de 81,1% estariam sujeitos à nova tarifa, percentual muito superior à média nacional, de 43,7%.

O setor do tabaco aparece como o principal foco de preocupação. Apenas as exportações de fumo não manufaturado do tipo Virgínia somaram US$ 122 milhões em vendas aos Estados Unidos e poderiam enfrentar uma sobretaxa adicional estimada em US$ 30 milhões. Já o fumo tipo Burley exportou US$ 49 milhões e também seria diretamente atingido pela medida.

Juntos, os dois tipos de tabaco representam 31,4% de todo o agronegócio gaúcho potencialmente afetado pela proposta americana, evidenciando a forte dependência do estado desse segmento nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Dados recentes da Datamar indicam que, entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1302 TEUs de produtos da indústria do tabaco aos EUA através do Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Siul. O gráfico abaixo detalha os volumes mensais registrados:

Exportação de Tabaco | Porto de Rio Grande | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

A vulnerabilidade do Rio Grande do Sul decorre da composição de sua pauta exportadora. Diferentemente de outros estados brasileiros, cujos principais produtos foram incluídos nas listas de exclusão elaboradas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o tabaco e os produtos florestais gaúchos ficaram fora dessas exceções.

Enquanto itens como carne bovina fresca, café em grão, suco de laranja concentrado e fertilizantes receberam proteção nas negociações, o fumo exportado pelo Rio Grande do Sul não foi contemplado. Como consequência, apenas 18,9% das exportações gaúchas para os Estados Unidos estariam protegidas pelas exclusões, contra 56,3% das exportações brasileiras.

No agronegócio, o impacto também é expressivo. Cerca de 74,9% das exportações agropecuárias gaúchas destinadas aos EUA, equivalentes a US$ 575 milhões, estariam dentro do escopo da proposta, com potencial impacto tarifário estimado em US$ 144 milhões.

Além do tabaco, outros produtos relevantes para a economia gaúcha também seriam afetados, como a madeira serrada de Pinus (US$ 81 milhões exportados) e os calçados de couro (US$ 62 milhões).

A Farsul ressalta que os valores estimados não representam perdas automáticas para os exportadores. Os efeitos podem ocorrer por diferentes caminhos, como redução das margens de lucro, diminuição dos volumes embarcados, perda de competitividade frente a concorrentes internacionais ou repasse parcial dos custos aos importadores americanos.

A proposta está sendo discutida no âmbito de uma investigação comercial dos Estados Unidos baseada na Seção 301 do Trade Act de 1974. Além de questões tarifárias, Washington também avalia temas relacionados ao PIX, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e políticas ambientais brasileiras.

Para o Rio Grande do Sul, maior exportador de tabaco do Brasil e um dos principais fornecedores mundiais do produto, o resultado das negociações entre Brasília e Washington será decisivo para a manutenção da competitividade do setor e para a preservação de uma importante fonte de renda para milhares de produtores e municípios dependentes da cadeia produtiva do tabaco.

Fonte: Olá Jornal

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