UE aprofunda relação com o Brasil e busca reduzir dependência de tecnologia dos EUA
jun, 12, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202624
A União Europeia e o Brasil vão assinar uma parceria digital, em um movimento com o qual o bloco busca estreitar relações com mais países e reduzir sua dependência de tecnologia americana, afirmou em 11 de junho Henna Virkkunen, chefe da área de tecnologia da Comissão Europeia.
A parceria terá como foco a cooperação em áreas como dados, conectividade, cibersegurança e proteção de menores, disse a jornalistas, à margem do Web Summit Rio, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para soberania tecnológica, segurança e democracia.
“É algo que queremos fazer com parceiros de confiança”, afirmou. “Criar melhores oportunidades de negócios para os dois lados, especialmente agora que temos o acordo comercial do Mercosul com o Brasil.”
No início deste ano, a União Europeia e o Mercosul — bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — formalizaram a assinatura de um acordo de livre comércio, abrindo caminho para uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
Com isso, o Brasil se tornará o quinto país a cooperar com o bloco europeu em temas digitais, ao lado de Canadá, Japão, Coreia do Sul e Singapura.
Virkkunen se reuniria ainda na quinta-feira com o vice-presidente Geraldo Alckmin e seguiria para Brasília, onde continuaria os encontros na sexta-feira para formalizar o acordo.
“O Brasil é um país que compartilha em grande medida os mesmos valores da União Europeia”, disse. Segundo ela, o país está comprometido com mercados abertos, tecnologias seguras e uma ordem internacional baseada em regras. Acrescentou ainda que a meta é trabalhar em conjunto no desenvolvimento de tecnologias centradas nas pessoas.
A comissária afirmou que a UE quer ampliar esse tipo de parceria porque entende que nenhum país ou bloco consegue se manter competitivo sozinho. Ao mesmo tempo, disse, o bloco trabalha para reduzir sua dependência em áreas estratégicas, como a fabricação de chips e os serviços de computação em nuvem, para evitar o que chamou de “risco de desligamento” dos serviços.
A Comissão Europeia lançou recentemente um pacote voltado à soberania tecnológica, com medidas para fortalecer a tecnologia desenvolvida no próprio bloco, inclusive na área de nuvem.
Segundo Virkkunen, a iniciativa surge em um contexto em que a Europa depende fortemente de três gigantes americanas — Amazon, Google e Microsoft —, que juntas controlam cerca de 70% do mercado europeu de computação em nuvem.
Reportagem de Luciana Magalhães para a Reuters
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