UE e Brasil buscam diálogo sobre embargo à carne bovina durante encontro do G7
jun, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco.
Somente nos quatro primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 2.722 TEUs de carne bovina exportados ao bloco europeu. Esse número representa uma alta de 28% se comparado ao mesmo período do ano anterior. O gráfico a seguir, formulado com os dados da Datamar, comparam a performance do setor nos últimos anos:
Exportação de Carne Bovina | União Europeia | Jan-Abr | 2022 – 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A Comissão Europeia está negociando com o Brasil sobre a proibição das importações de carne bovina brasileira, prevista para entrar em vigor em setembro, anunciou nesta segunda-feira o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa. Tanto Costa quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, como convidados. “Esta é uma forma muito construtiva de resolver problemas”, afirmou Costa.
Pouco depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, no começo de maio, a UE retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco. Autoridades europeias alegaram que o país não cumpriu as regras relativas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.
“Obviamente, existem padrões sanitários que precisam ser respeitados”, disse Costa, que preside o Conselho Europeu, órgão que reúne os chefes de Estado e de governo da UE. Ele ressaltou que o tema está sob responsabilidade da Comissão Europeia, braço executivo do bloco.
Lula deverá discutir a suspensão do embargo à carne bovina brasileira em uma possível reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira, embora o encontro ainda não tenha sido confirmado.
O Brasil não integra o G7 — formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália — e participa da cúpula como convidado.
Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade alpina francesa onde os líderes das economias ocidentais mais avançadas se reúnem até quarta-feira sob forte esquema de segurança.
Costa considera positiva a décima participação do Brasil em uma reunião de líderes do G7. Segundo ele, alcançar compromissos internacionais para enfrentar os desequilíbrios macroeconômicos globais — prioridade da presidência francesa do G7 — e lidar com temas como inteligência artificial e parcerias para o desenvolvimento exige esforço coletivo, tornando a presença brasileira essencial.
Mais tarde, Lula manteve uma conversa de quase uma hora com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Fontes próximas ao governo brasileiro destacaram que o Brasil não solicitou uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A imprensa francesa informou que Trump chegou a Évian-les-Bains na tarde de segunda-feira “em alta velocidade”. Poucas horas antes do início da cúpula, o presidente norte-americano anunciou, e autoridades iranianas confirmaram posteriormente, um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz.
Em entrevista à televisão francesa na tarde de segunda-feira, Macron afirmou que a prioridade imediata é a reabertura do Estreito de Ormuz, mas se posicionou contra a ideia de um “pedágio” que autoridades iranianas estariam considerando cobrar das embarcações que transitam pela estratégica rota marítima. Segundo ele, a medida poderia abrir precedente para outras vias marítimas essenciais ao comércio mundial.
Macron também declarou que países europeus, coordenados por uma missão conjunta franco-britânica, poderiam enviar embarcações em dois ou três dias para remover minas instaladas no estreito durante o conflito e restabelecer a navegação na região.
Durante um encontro no Hotel Royal logo após sua chegada, Trump disse a Macron, diante de outras pessoas, que não precisava de “muita ajuda” dos parceiros internacionais para reabrir o Estreito de Ormuz e minimizou a oferta de cooperação. “Não seria uma má ideia enviar um ou dois navios”, acrescentou, sugerindo que embarcações francesas poderiam ser uma boa opção caso a assistência se mostrasse necessária.
O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia devem dominar as discussões entre os líderes do G7 na manhã desta terça-feira. Desequilíbrios econômicos globais, minerais críticos e regulação da internet também estão na pauta da cúpula, que segue até quarta-feira.
Fonte: Valor International
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