Embarques de petróleo aumentam no Estreito de Ormuz, mas crescem dúvidas sobre condições impostas pelo Irã para o trânsito
jun, 19, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
Os embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz aumentaram nesta sexta-feira (19), após Estados Unidos e Irã assinarem um acordo de cessar-fogo. Produtores do Golfo se preparam para elevar as exportações, embora persistam preocupações sobre as condições impostas por Teerã para o uso da estratégica via marítima.
Washington e Teerã divulgaram o texto de um acordo provisório assinado na quarta-feira para encerrar o conflito, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha alertado que poderá retomar os ataques e atingir autoridades iranianas caso os compromissos não sejam cumpridos.
Pelo menos quatro navios-tanque transportando petróleo bruto, derivados e gás liquefeito de petróleo (GLP) entraram no estreito nesta sexta-feira com destino a portos iraquianos no Golfo, segundo dados da MarineTraffic.
Um petroleiro de propriedade japonesa deixou o estreito após ter sido atrasado pela guerra e seguia para o Japão. Separadamente, o petroleiro de bandeira indiana Desh Vaibhav se preparava para zarpar rumo à Índia após dias de interrupções.
Navios voltam a ligar sinais de localização
As embarcações voltaram a transmitir suas posições ao cruzar o Estreito de Ormuz, depois de semanas ocultando seus movimentos com os transponders desligados.
Houve 25 travessias comerciais por Ormuz em 18 de junho, o maior número em um único dia desde 18 de abril e mais de cinco vezes a média diária dos primeiros dez dias de junho, mostraram dados da AXS Marine. Ainda assim, o tráfego permanece bem abaixo do nível anterior ao conflito, de cerca de 120 travessias diárias.
Produtores de petróleo do Golfo já retomaram as licitações. A Kuwait Petroleum Corp oferece petróleo para entrega em julho após suspender a situação de força maior e anunciar planos para ampliar a produção, enquanto a Abu Dhabi National Oil Company lançou sua quarta licitação do mês.
Os Estados Unidos suspenderam formalmente o bloqueio aos portos iranianos na quinta-feira (18).
“O pessoal marítimo deve estar atento à existência de minas e à presença naval enquanto as operações de limpeza continuam”, informou na noite de quinta-feira o Joint Maritime Information Center, liderado pela Marinha dos EUA.
O órgão recomendou que os navios evitem o esquema de separação de tráfego devido aos riscos de minas. O sistema, adotado pela agência marítima da ONU em 1968, estabelece corredores de navegação nas águas iranianas e omanitas do estreito.
“Os riscos vão desde a presença de minas até a possibilidade de as embarcações ficarem presas no Golfo do Oriente Médio caso as tensões voltem a aumentar e o Irã bloqueie Ormuz novamente”, afirmou a corretora marítima Braemar em relatório.
“Acordo abre a possibilidade de o Irã cobrar taxas para administrar os trânsitos por Ormuz após 60 dias.”
Condições impostas pelo Irã preocupam armadores
A Suíça informou que as negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo de paz mais amplo não ocorreriam nesta sexta-feira, e o vice-presidente americano, JD Vance, cancelou uma visita planejada, evidenciando a incerteza em torno de uma solução duradoura.
O Irã sinalizou um controle mais rígido sobre a navegação. A televisão estatal informou que as embarcações deverão coordenar o trânsito com a Marinha da Guarda Revolucionária.
A empresa britânica de segurança marítima Ambrey afirmou que forças iranianas ordenaram na quinta-feira que um petroleiro de bandeira de Hong Kong e um graneleiro registrado em São Cristóvão e Névis retornassem.
Em comunicado sem data, distribuído à indústria marítima nas últimas 24 horas e obtido pela Reuters, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) informou que “nenhuma embarcação está autorizada a transitar pelo Estreito de Ormuz sem uma licença válida emitida pela PGSA”.
A entidade, que se apresenta como a única autorizada a emitir permissões, afirmou ainda que se reserva o direito de introduzir taxas de seguro, exigindo que os armadores obtenham e renovem coberturas.
O setor marítimo rejeitou qualquer sistema de taxas ou pedágios sobre o que considera uma hidrovia internacional.
Fonte: Reuters
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