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Fretes spot de contêineres atingem os maiores níveis em quatro anos

jul, 03, 2026 Postado porSylvia Schandert

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As tarifas spot de frete marítimo para contêineres voltaram a subir nesta semana, levando os principais índices globais aos níveis mais altos desde o pico registrado durante a pandemia, em 2022. O movimento é impulsionado pela antecipação de embarques motivada por tarifas comerciais e pelas persistentes interrupções na região do Estreito de Ormuz.

O World Container Index, da Drewry, avançou 9% na comparação semanal, alcançando US$ 4.530 por contêiner de 40 pés, sustentado por altas tanto nas rotas transpacíficas quanto entre Ásia e Europa. Os fretes de Xangai para Nova York subiram 11%, para US$ 7.902 por FEU, enquanto a rota Xangai–Los Angeles avançou 10%, para US$ 6.349 por FEU. A Drewry registrou oito cancelamentos de viagens (blank sailings) programados na rota transpacífica para a próxima semana, sinalizando restrição de capacidade. Já na rota Ásia–Europa, o cenário foi diferente: apenas um blank sailing foi anunciado, enquanto os fretes de Xangai para Roterdã aumentaram 7%, para US$ 4.682 por FEU, e de Xangai para Gênova subiram 10%, para US$ 6.360 por FEU.

Os dados da Freightos apontam na mesma direção. Seus índices para as rotas Ásia–Costa Oeste e Ásia–Costa Leste dos Estados Unidos avançaram 8% na última semana, atingindo aproximadamente US$ 6.200 e US$ 8.000 por FEU, respectivamente. Desde meados de maio, esses valores acumulam altas de 120% e 85%.

As tarifas entre Ásia e Norte da Europa chegaram a US$ 4.900 por FEU, alta de 70% no mesmo período, enquanto a rota Ásia–Mediterrâneo atingiu US$ 6.500 por FEU, avanço de 85%. Segundo a Freightos, os fretes para a Costa Leste dos EUA e para o Mediterrâneo já superaram os picos sazonais registrados no ano passado, enquanto os preços para a Costa Oeste operam ligeiramente acima do pico de 2025.

O Platts Container Index, da S&P Global, também confirmou a tendência de alta, registrando avanço de 80% nos 30 dias encerrados em 24 de junho, alcançando seu maior nível desde abril de 2022.

As companhias de navegação aproveitaram o momento para elevar suas tarifas. A HMM introduziu uma sobretaxa de alta temporada (Peak Season Surcharge – PSS) de US$ 3.000 por contêiner de 40 pés, com vigência a partir de 15 de julho. A CMA CGM elevou sua tarifa FAK (Freight All Kinds) entre Ásia e Norte da Europa para US$ 6.300 por contêiner de 40 pés a partir de 1º de julho, acrescentando uma PSS de US$ 1.000 por TEU. Já as tarifas FAK para o Mediterrâneo chegaram a US$ 10.200 por contêiner de 40 pés para cargas destinadas à Argélia.

A antecipação de embarques tem sido o principal fator por trás da alta. Importadores vêm acelerando o envio de cargas antes da possível imposição de uma tarifa de 10% a 12,5% pelos Estados Unidos sobre produtos de dezenas de países, em meio a preocupações relacionadas ao uso de trabalho forçado e ao cenário de incerteza.

“Esses aumentos expressivos parecem, de fato, ser impulsionados por uma demanda forte e por navios operando com lotação máxima”, comentou Lars Jensen, um dos mais conhecidos analistas do setor de contêineres, em publicação no LinkedIn.

“O que as disrupções da pandemia ensinaram às transportadoras foi que os preços podem seguir a relação entre oferta e demanda e não precisam estar atrelados aos custos. Isso não é diferente do que ocorre em muitos outros setores”, acrescentou Jensen.

A Linerlytica estima que a demanda global medida em TEU-milha esteja crescendo atualmente 7,3%, superando com folga o crescimento da oferta da frota, de 5,4%. Isso produz o maior desequilíbrio entre demanda e oferta desde o fim de 2024. O congestionamento portuário também voltou a se intensificar, com quase 11% da frota mundial de navios porta-contêineres aguardando fundeada do lado de fora dos portos — o maior nível desde 2022.

A Splash noticiou no início desta semana que a Maersk elevou sua projeção financeira para o ano.

Há apenas alguns meses, a armadora dinamarquesa alertava investidores de que poderia registrar um prejuízo operacional (EBIT) subjacente de até US$ 1,5 bilhão em 2026. Agora, após uma forte recuperação dos fretes e uma demanda por cargas acima do esperado, a empresa prevê entregar um lucro operacional subjacente entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões. A projeção de EBITDA subjacente foi elevada para uma faixa entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, ante a estimativa anterior de US$ 4,5 bilhões a US$ 7 bilhões. A companhia também revisou para cima sua expectativa de crescimento da demanda global por transporte de contêineres, passando de uma projeção anterior de 2% a 4% para cerca de 4% em 2026.

Fonte: Splash247

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