Exportações brasileiras de carne suína batem recorde no 1º semestre
jul, 15, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202629
As exportações brasileiras de carne suína atingiram o maior volume já registrado para um primeiro semestre em 2026, em meio à estratégia do setor de ampliar os embarques diante de um mercado doméstico mais fraco.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea, o Brasil exportou 785,4 mil toneladas de carne suína entre janeiro e junho, o maior volume da série histórica iniciada em 1997 para o período.
O resultado representa alta de 10% em relação ao primeiro semestre de 2025, quando os embarques somaram 713 mil toneladas. Na comparação com a segunda metade do ano passado, quando o Brasil exportou 779,6 mil toneladas, o avanço foi de 0,7%.
Segundos dados recentes obtidos pela Datamar, o Brasil exportou 35.219 TEUs de carne suína entre janeiro e maio de 2026. Confira a seguir um levantamento dos dados registrados nos últimos anos.
Exportação de Carne Suína | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O desempenho reforça o papel do mercado externo como válvula de escoamento para a produção nacional. Com a demanda interna enfraquecida, agentes do setor passaram a direcionar volumes maiores ao exterior como forma de reduzir a sobreoferta no mercado doméstico.
Em junho, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram 131,1 mil toneladas, alta de 2,5% frente a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, houve queda de 3,3%. O recuo anual ocorre sobre uma base elevada, já que junho do ano passado registrou um dos maiores volumes mensais de embarques de 2025.
Historicamente, os embarques de carne suína tendem a ser mais fracos no primeiro semestre do que na segunda metade do ano. Em 2026, no entanto, todos os meses entre janeiro e junho superaram 110 mil toneladas exportadas, um marco inédito na série da Secex.
Esse comportamento abre espaço para que o setor amplie ainda mais as vendas externas no segundo semestre, caso a demanda internacional se mantenha firme e o Brasil continue competitivo frente a outros fornecedores globais.
As Filipinas foram o principal destino da carne suína brasileira no primeiro semestre, com 214 mil toneladas importadas, alta de 32% em relação ao mesmo período de 2025. O volume comprado pelo país asiático quase igualou, sozinho, a soma das aquisições do Japão, China e Chile, que aparecem como segundo, terceiro e quarto maiores importadores do produto brasileiro e, juntos, adquiriram 217 mil toneladas no período.
O avanço das Filipinas já vinha sendo monitorado pelo Cepea desde o início do ano. A expectativa de aumento nas compras se confirmou em meio aos problemas recorrentes enfrentados pelo país com a peste suína africana, que tem afetado sua produção local e ampliado a necessidade de importações.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil é atualmente o maior fornecedor de carne suína às Filipinas, respondendo por 66% das importações do país.
O desempenho do semestre consolida as exportações brasileiras de carne suína como uma das principais frentes de sustentação do setor em 2026. Além de ajudar a absorver parte da produção nacional, o avanço dos embarques reforça a presença do Brasil em mercados estratégicos da Ásia e pode influenciar o equilíbrio entre oferta, preços internos e margens da cadeia nos próximos meses.
Fonte: Cepea
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