EUA aplicam tarifa de 25% sobre importação de produtos brasileiros a partir de 22 de julho
jul, 16, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202629
O governo dos Estados Unidos publicou na noite desta quarta-feira (15) a resolução que estabelece uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, entrará em vigor na próxima quarta-feira (22).
Como o Valor informou, embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerasse praticamente inevitável um novo aumento generalizado de tarifas e veja contaminação ideológica no processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), avalia que ainda há chances de os EUA ampliarem a lista de produtos isentos da nova alíquota de 25%.
A estratégia do governo brasileiro tem sido demonstrar à Casa Branca que permanece disposto a negociar.
Isenções
A medida do USTR isenta mais de 2 mil itens da tarifa, que se somam a produtos que já estavam excluídos da taxação, como determinados tipos de carnes, café, frutas, ferro e peças de aeronaves.
Passam a integrar a lista de exceções ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, determinados frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos, além de antiguidades, obras de arte e roupas usadas.
Segundo o USTR, esses produtos são insumos importantes para a indústria americana, têm oferta doméstica limitada ou são difíceis de substituir por fornecedores de outros países. A sobretaxa poderia elevar custos e desorganizar cadeias produtivas nos Estados Unidos.
Em diversos casos, o órgão argumenta que os Estados Unidos dependem do fornecimento brasileiro ou que a aplicação da tarifa causaria mais prejuízos à economia americana do que pressão efetiva sobre o Brasil.
Pedidos rejeitados
Nem todos os pedidos de isenção foram aceitos. O governo americano rejeitou solicitações apresentadas por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos produtos manufaturados.
Segundo os dados de movimentação de cargas por via marítima obtidos pela Datamar mostram que as exportações de calçados aos EUA caíram 25,7% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, comparados ao ano anterior. Isso significa que apenas 466 TEUs foram enviados ao país norte-americano. Confira mais detalhes abaixo:
Exportação de Calçados aos EUA | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Embora empresas tenham alegado aumento de custos e dificuldades para substituir fornecedores brasileiros, o USTR concluiu que esses produtos podem ser obtidos em outros mercados ou que as consequências econômicas não justificam uma exceção à tarifa.
O texto final também endureceu alguns pontos da proposta inicial. A agência retirou da lista de isentos a celulose de alta pureza, após receber manifestações de que produtores brasileiros do insumo seriam beneficiados por práticas ligadas ao desmatamento ilegal.
Além disso, restringiu a isenção de determinados produtos químicos apenas às aplicações farmacêuticas, mantendo a tarifa quando destinados a outros usos industriais.
Reação da indústria
Representantes da indústria brasileira manifestaram preocupação após o anúncio da nova tarifa pelos Estados Unidos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou, em nota, que acompanha com preocupação a confirmação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava um cenário que já pressionava as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países.
“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
As tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já afetam o comércio bilateral. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.
A retração foi influenciada principalmente pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações brasileiras de produtos manufaturados no período.
Os impactos das tarifas em vigor desde 2025 também são percebidos nas exportações estaduais. No primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas vendas para os Estados Unidos em comparação com o mesmo período de 2025.
Pressão competitiva
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também informou que recebeu com grande preocupação a decisão do governo americano.
Segundo a entidade, a medida cria uma desvantagem significativa para as empresas brasileiras em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto dependerá dos produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.
Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.
“A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG.
A FIEMG reforçou a necessidade de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e estabelecer regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e a implementação da medida, a fim de evitar uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira.
(Com Folhapress)
Fonte: Valor Econômico
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