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Tarifas dos EUA podem causar prejuízo de US$ 100 milhões às exportações de tabaco brasileiro

jul, 27, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202631

As exportações de tabaco brasileiro podem perder aproximadamente US$ 100 milhões caso os Estados Unidos mantenham o produto sujeito à tarifa adicional aplicada às mercadorias brasileiras. O alerta foi apresentado por representantes da indústria, que temem uma redução ainda maior das vendas para o mercado norte-americano.

A estimativa consta em uma carta enviada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, o SindiTabaco, e pela Associação Brasileira da Indústria do Fumo, a Abifumo, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No documento, as entidades solicitam que o governo brasileiro negocie a inclusão do tabaco na lista de produtos isentos da sobretaxa norte-americana.

Exportações de tabaco brasileiro perdem espaço nos EUA

Historicamente, os Estados Unidos figuravam como o terceiro principal destino do tabaco produzido no Brasil, concentrando cerca de 9% dos embarques internacionais do setor. Em 2025, essa participação recuou para 6%.

Dados da Datamar mostram que 1.426 TEUs de tabaco saíram de portos brasileiros em direção aos EUA nos cinco primeiros meses de 2026, uma queda 13,2%. Compare abaixo os volumes das exportações nos últimos anos:

Exportação de Tabaco aos EUA | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Dados do MDIC e da Secretaria de Comércio Exterior mencionados pelas entidades mostram que as vendas destinadas ao mercado norte-americano movimentaram US$ 195,3 milhões no período, queda de 23,4% em relação ao ano anterior.

A retração continuou em 2026. Entre janeiro e junho, os embarques somaram US$ 88,8 milhões, valor 31% menor que o registrado no mesmo intervalo de 2025. Para as organizações do setor, a manutenção da tarifa pode aprofundar esse movimento e comprometer contratos comerciais já estabelecidos.

Concorrentes africanos podem substituir produto brasileiro

O aumento do custo de importação pode levar empresas dos Estados Unidos a buscar tabaco em outros mercados. Entre os principais concorrentes mencionados estão Zimbábue e Malaui, países africanos que também possuem produção voltada ao comércio internacional. A possibilidade preocupa especialmente os produtores de tabaco Burley, variedade que encontra nos Estados Unidos um de seus mercados mais relevantes.

Segundo o setor, a substituição do produto brasileiro não provocaria apenas uma redução imediata nas vendas. A formação de novos contratos com fornecedores estrangeiros também poderia dificultar a recuperação desse mercado no futuro.

Setor questiona ausência do tabaco entre as exceções

SindiTabaco e Abifumo argumentam que diferentes produtos importantes do agronegócio brasileiro receberam tratamento diferenciado nas medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.

Entre os itens incluídos na lista de exceções estão carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose. O tabaco, porém, permaneceu submetido à cobrança adicional. Na avaliação das entidades, essa diferença de tratamento reduz a competitividade brasileira e favorece fornecedores estrangeiros que conseguem chegar ao mercado norte-americano com custos menores.

Exportações de tabaco brasileiro dependem de negociação

O setor espera que o governo utilize os canais diplomáticos e comerciais disponíveis para tentar retirar o produto da relação de mercadorias tarifadas. A inclusão do tabaco entre as exceções poderia preservar parte das vendas aos Estados Unidos e reduzir o risco de perda de espaço para produtores africanos. Enquanto não houver uma mudança nas regras, a cadeia produtiva continuará exposta à diminuição da demanda externa.

O impacto pode alcançar indústrias de processamento, empresas exportadoras e produtores rurais ligados ao cultivo de tabaco, principalmente nas regiões onde a atividade possui forte peso econômico.

Fonte: Compre Rural

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